Premium "Dor e Glória": a obra prima da maturidade de Almodóvar

Estreia nesta quinta-feira nas salas portuguesas o filme que valeu a Antonio Banderas o prémio de melhor ator no último Festival de Cannes. Dor e Glória é um belíssimo reencontro com a essência do cinema de Almodóvar.

Chegou a hora em que Pedro Almodóvar cedeu a si mesmo. Revestiu o tom confessional de cores garridas e ergueu uma sedutora autoficção, com elementos biográficos que se misturam na malha do próprio feitiço dramático do seu cinema. Ele, o mais conceituado cineasta espanhol contemporâneo, que num livro de 1991, Patty Diphusa e Outros Textos (publicado entre nós com tradução de Pedro Tamen), escrevia: "Não quero que a minha obra futura seja contaminada pela minha fuga para dentro, pela contemplação de mim mesmo."

Pois bem, de olhos postos em Dor e Glória, mais do que nunca, a sua eloquente matéria acusa precisamente essa introspeção. Quem é Salvador Mallo, o realizador estagnado e "em fuga para dentro", o estranho "refletido no espelho da casa de banho", como também escreve nesses textos, senão Almodóvar?

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