Recordar Sophia de Mello Breyner no centenário

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro de 1919. 99 anos depois, o programa para comemorar a sua vida e obra é imenso, começa já em janeiro e só termina no dia do centenário.

Um colóquio em maio na Fundação Calouste Gulbenkian e um concerto no Teatro Nacional de São Carlos em novembro são os destaques das celebrações em 2019 do centenário do nascimento da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen. Pelo meio são muitas as iniciativas para celebrar uma das mais importantes poetas do século XX português.

A programação nacional do centenário da poetisa foi apresentada no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, no dia em que e celebram os 99 anos da autora de "Fada Oriana" e "Menina do Mar". As iniciativas têm início a 12 de janeiro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com o projeto de dança "O Cavaleiro da Dinamarca", pela Escola de Dança do Conservatório Nacional.

O colóquio internacional sobre a obra de Sophia acontece no dia 16 maio, na Fundação Gulbenkian, estando previsto outros colóquios sobre a autora, no Porto e em Lagos, mas também fora do país, nomeadamente no Rio de Janeiro e em Roma.

O concerto no São Carlos realiza-se precisamente no dia de aniversário de Sophia, que nasceu no Porto, em 06 de novembro de 1919.

A programação inclui um ciclo de cinema na Cinemateca Portuguesa, com filmes dos quais a escritora gostava. Nesta área está previsto um filme de Margarida Gil, baseado num conto da escritora, enquanto o realizador Manuel Mozos irá dirigir um documentário sobre a autor de "O Nome das Coisas" e "Navegações".

A programação inclui uma exposição itinerante sobre Sophia.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), natural do Porto, foi condecorada três vezes pela República Portuguesa e distinguida com 13 prémios literários, entre outros galardões. A poetisa morreu dez dias antes de receber a Medalha de Honra do Presidente do Chile, por ocasião do centenário do nascimento de Pablo Neruda. O Prémio Rainha Sofia de Espanha, em 2003, foi o último galardão que recebeu em vida, de uma lista iniciada em 1964, quando recebeu o Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, pelo livro "Canto Sexto". Em 1977, "O Nome das Coisas" vale-lhe o Prémio Teixeira de Pascoaes e, em 1984, a Associação Internacional de Críticos Literários entregou-lhe o Prémio da Crítica pela totalidade da obra. Em 1989, foi distinguida com o Prémio D. Dinis pelo livro de poesia "Ilhas", Grande Prémio de Poesia Inasset/Inapa, no ano seguinte. Em 1992, voltou a ser premiada pela totalidade da obra, desta feita, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian para Crianças. Em 1994, a Associação Portuguesa de Escritores outorgou-lhe o Prémio 50 anos de Vida Literária e, em 1996, foi homenageada no Carrefour des Litératures (França), um ano depois de ter sido distinguida com o Prémio Petrarca pela Associação de Editores Italianos. Em 1998, o seu livro "O búzio de cós" valeu-lhe o Prémio Luís Miguel Nava. Em 1999, foi distinguida com o Prémio Camões.

A autora escreveu várias obras dedicadas ao público infanto-juvenil, nomeadamente, "A menina do mar" (1958), "A Fada Oriana" (1958), "A noite de Natal" (1959), "O Cavaleiro da Dinamarca" (1964), "O Tesouro" (1970), "A Árvore" (1985). No teatro escreveu "Não chores minha Querida" (1993) e "O Colar (2001), bem como vários ensaios, entre eles, "A poesia de Cecíla Meirelles" (1956) e "Luiz de Camões. Ensombramentos e Descobrimentos" (1986), e traduziu autores como Dante Alighieri, William Shakespeare, Paul Claudel e Eurípedes.

A programação está disponível em www.centenariodesophia.com.

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