Camané venceu Prémio Manuel Simões para Melhor Disco de Fado

Camané, com o disco Camané Canta Marceneiro, é o vencedor do Prémio Manuel Simões para Melhor Disco de Fado, revelou hoje à agência Lusa fonte da Fundação Manuel Simões.

Criado em março último pela Fundação que tem o nome do editor discográfico, no âmbito das comemorações do centenário deste, o galardão tem periodicidade anual e visa distinguir exclusivamente a melhor edição discográfica de fado do ano civil anterior ao da entrega do prémio, referia um comunicado da Fundação aquando da instituição do prémio.

Na ata, a que a agência Lusa teve acesso, o júri refere ter ponderado a "mestria interpretativa" de Camané, que "resgatou cuidadosamente um dos repertórios emblemáticos do fado", de um dos seus "mais carismáticos intérpretes" - Alfredo Marceneiro -, sem se deixar confundir ou seguir o modelo, mas antes recriando, propondo o seu próprio registo.

Para o júri, Camané fez uma "interpretação iluminada" de um dos repertórios matriciais do fado, numa "equação excelente com o acompanhamento instrumental".

O álbum "evidencia a faceta artesanal e de afetos, património indissociável do fado", e Camané, "figura absolutamente maior do panorama fadista", fá-lo "de uma forma natural, sem artifícios nem recursos exógenos, antes na suprema simplicidade fadista, da qual é mestre".

"Plena", é como o júri qualifica a interpretação de Camané no álbum em que recria o repertório de Marceneiro e no qual "se revelam todas as notas musicais, a emoção, a capacidade de encontrar a musicalidade das palavras e imprimir-lhe um cunho próprio, sem exageros, de forma contida, autêntica e inteira".

Sobre o CD editado em 2017, produzido com produção de José Mário Branco e edição da Warner Music, o júri reconhece ainda em Camané a "validação da tradição", sem que "tenha ficado preso a ela".

Ao revisitar o repertório do fadista que criou A Casa da Mariquinhas e ao ter convidado Carlos do Carmo para participar no CD - com quem canta A Lucinda Camareira -, Camané estabelece "uma linguagem artística", que se traduz na forma como as "sucessivas gerações passam o testemunho e contemporizam o fado, que é sempre novo".

Sem valor pecuniário, o prémio consiste numa estatueta e será entregue numa cerimónia que deverá realizar-se em outubro, acrescentou à Lusa fonte da Fundação.

O júri decidiu ainda destacar o mérito das edições discográficas Amália.Fados´67 e Amália. Coliseu 1987, ambos editados pela Valentim de Carvalho, assim como o álbum Recordar Ana Rosmaninho, com edição do Lagar da Música, por "resgatarem para a atualidade repertório essencial à tradição e à prática fadista".

Compunham o júri a fadista Julieta Estrela de Castro, a apresentadora de televisão Margarida Mercês de Mello, a responsável do Museu do Fado, Sara Pereira, o realizador de rádio Edgar Canelas e o jornalista Nuno Lopes.

A Fundação Manuel Simões foi instituída pelo empresário discográfico em dezembro de 2001. Nascido em Pedrógão Grande, Manuel Simões (1917-2008) foi empresário discográfico e fundou a editora Estoril, a Discoteca do Carmo, e a fundação a que deu o seu nome, em dezembro de 2001.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.