Bordalo II também vai ao NOS Alive

Começa na quinta-feira mais uma edição do festival em Algés. Com mais piso alcatifado e um cartaz com nomes como Pearl Jam, Artic Monkeys e Brian Ferry. Os bilhetes estão há muito esgotados.

Há um mundo verde, com plantas abundantes, no meio das quais vive um enorme mocho. Mas, se não tivermos cuidado, essa paisagem vai desaparecer rapidamente. E dará lugar a um mundo de lixo. Com restos de plástico, pneus, redes de pesca, carcaças de automóveis e outros resíduos. Coloridos mas resíduos. Essa é a mensagem que o artista Bordalo II quer passar com a sua intervenção no Palco de Comédia do NOS Alive. "Desafiaram-me a ocupar o palco e deram-me total liberdade e eu decidi dividir o palco em dois, um lado com a natureza e o outro mais caótico", explica ao DN Bordalo II, o artista que é conhecido por usar lixo e materiais reciclados nas suas obras.

Se tivesse de dar um nome a esta intervenção, o autor chamar-lhe-ia "DESnature". A explicação é simples: no centro do palco podem ver-se as letras "DES" e depois um ecrã onde irão aparecer várias palavras, acentuando esta ideia da "DEStruição" que estamos a fazer ao nosso planeta.

Bordalo II esteve uma semana e meia a trabalhar no Passeio Marítimo de Algés para criar esta obra que vai acompanhar os espetáculos dos Cebola Mol, Rui Sinel de Cordes, Guilherme Duarte, Simone Day, Ana Garcia Martins, Diogo Batáguas e outros artistas de comédia ao longo de apenas três dias (de 12 a 14 de julho, ou seja, de quinta a sábado). Mas o artista - que já no ano passado tinha feito a escultura de uma guitarra, a Guitrash, para o festival Super Bock Super Rock - está habituado à efemeridade das suas obras: "Depois, todo o material será reutilizado em futuras criações", garante.

Para Álvaro Covões, empresário da Everything Is New e diretor do festival NOS Alive, o convite a Bordalo II para "transformar um palco numa peça de arte" fazia todo o sentido uma vez que este sempre foi um festival preocupado em deixar a mínima pegada ecológica possível. "Por exemplo, 90% da energia que usamos é de rede, que é a energia mais verde que existe, muito mais do que a dos geradores", diz, referindo ainda as parcerias com a Fundação Gulbenkian e com a Sociedade Ponto Verde e ainda o plano de combate ao desperdício alimentar como exemplos do empenho do festival nas questões sociais e ambientais.

Relva sintética e hambúrgueres

O NOS Alive é cada vez mais verde também porque este ano todo o recinto junto aos palcos e à zona de restauração está coberto com relva sintética. Ao todo são 40 mil metros quadrados de relva sintética que pretendem dar ainda mais conforto aos 55 mil espectadores que todos os dias vão encher o recinto no Passeio Marítimo de Algés. "Somos o maior relvado sintético do país", brinca Álvaro Covões.

A pouco mais de 48 horas da abertura das portas, o espaço é ainda um autêntico estaleiro, com camiões a entrarem e a saírem e muita gente a trabalhar. Mas Covões, com a experiência de 11 edições já realizadas, está tranquilo: "A atividade é tanta e tão intensa que é difícil ficar nervoso."

A equipa da Everything Is New mudou-se há três semanas para o recinto e está ali a trabalhar a tempo inteiro. "Isto é uma cidade. Nós, enquanto organização, sentimo-nos como se fôssemos uma câmara municipal. Temos de tratar de tudo desde o abastecimento elétrico à recolha do lixo, passando pela limpeza, esgotos, alimentação, estruturas, segurança...", explica este responsável. "Todos os anos tentamos fazer alterações para melhorar o conforto do público, mas já não fazemos grandes alterações porque há pessoas que vêm todos os anos e é bom que já se orientem e assim já sabem o sítio das coisas."

Entre as novidades gastronómicas: este ano bebe-se cerveja Sagres no NOS Alive e, entre hambúrgueres vegetarianos e outras iguarias saudáveis, o McDonald's está de volta aos festivais de música. A esplanada terá dois mil lugares sentados.

O melhor cartaz de sempre?

Pelo terceiro ano consecutivo, os bilhetes para o NOS Alive esgotaram muito antes de o festival começar. E também como de costume haverá muitos estrangeiros: 16 mil bilhetes foram vendidos fora de Portugal.

O dia mais procurado foi o sábado, que tem como cabeça-de-cartaz os Pearl Jam. Em dezembro já não havia bilhetes para ver o grupo de Seattle. Esta é a terceira vez que a banda de Eddie Vedder vem ao Alive (a última foi em 2010) e será aqui, junto ao Tejo, que vai encerrar a sua digressão europeia.

Mas este não é o único nome forte do cartaz deste ano. Logo na quinta-feira, há Arctic Monkeys, Nine Inch Nails, Snow Patrol, Khalid, Friendly Fires e Brian Ferry. Na sexta-feira, os Queens of the Stone Age e The National lideram um dia onde ainda se pode ouvir Two Door Cinema, Future Islands, Eels e Portugal. The Man. No sábado, além de Pearl Jam, há Jack White, Franz Ferdinand, Perfume Genius, MGMT e Alice in Chains. E estamos só a referir alguns dos músicos que vão passar pelos dois palcos principais.

No EDP Fado Clube, onde cabem apenas 400 pessoas, preveem-se enchentes para ver, por exemplo, Jorge Palma, Marta Pereira da Costa ou António Zambujo. Na sexta-feira, o Coreto será só ocupado por mulheres - Surma, Beatriz Pessoa, Minta & The Brook Trouts, Bernardo e um secret show, que será surpresa. Com curadoria de Branko, o Nos Clubbing terá The Gift, Orelha Negra, Paus, Xinobi...

Convém consultar o cartaz completo AQUI e planear bem a ida ao festival.

Álvaro Covões não tem dúvidas: "O nosso conceito é: todos os palcos são palcos principais. Claro que não vamos pôr os Pearl Jam no Coreto, porque não tem dimensão para eles. Mas as pessoas não vêm cá só ver os Pearl Jam. Vêm ver tudo. Queremos que saiam daqui com aquela sensação de que valeu mesmo a pena."

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