Tiveram há dias, antes de um ensaio, Lin-Manuel Miranda a falar por videochamada com o elenco e outros elementos da equipa. Como foi esse momento?Foi um momento que vai, certamente, ficar nas nossas memórias para sempre. E, atrevo-me, até a dizer que será um episódio que poderá ficar na história da cultura portuguesa. Estarmos mais de meia hora à conversa e a partilhar histórias com um dos maiores vultos culturais do planeta da atualidade com grande intimidade é inexplicável. Foi muito emocionante e uma grande surpresa para o elenco.Para si, pessoalmente, qual o peso de Lin-Manuel Miranda como inspirador?Durante os últimos meses troquei muitos emails com o propósito de ter o Lin connosco aqui em Portugal, esse era o meu grande objetivo. Ele é, na atualidade, a maior lenda do teatro nusical, pelo que tê-lo em contacto connosco representa uma enorme conquista. Os contributos que o Lin trouxe para esta forma de arte inspiram-me profundamente, pois foi capaz de trazer o teatro musical para o século XXI e colocou-o num novo patamar, com novos públicos e democratizando o meio artístico, criando oportunidades para novos artistas - uma missão que gostaria muito de prosseguir no nosso país.Hamilton foi o musical de consagração de Lin-Manuel Miranda. Este In The Heights, estreado em 2005 e que chegou à Broadway em 2008, já trazia a magia do criador americano? .Sem dúvida, Lin-Manuel tornou-se célebre e aclamado com In The Heights e há inúmeros elementos que já vemos neste espetáculo, seja pela temática, pelas personagens, pela representatividade, seja ainda pela inclusão de novos estilos musicais em teatro musical, tornando-o apelativo a novas gerações. Lin consegue ser cool, genial e profundo, em simultâneo.Pode sintetizar a história deste In The Heights?In The Heights fala-nos sobre a vida de uma comunidade latina residente em Washington Heights, em Nova Iorque, num par de dias. Toda a ação passa-se num curtíssimo espaço de tempo. A forma como encaram o Sonho Americano e como lidam com as suas raízes. A história não tem necessariamente de ser complexa, para ser profunda, pertinente e eficaz. Esta é a primeira produção oficial em português do musical. Como foi fazê-la? E Hamilton também um dia em português, imagina possível?É sempre complexo o processo de escolher e tornar realidade um espetáculo desta envergadura. Durante meses equacionámos qual seria a nossa próxima produção. Depois de termos tomado a decisão, iniciámos a compra e negociação dos direitos e, apenas em setembro, começámos a trabalhar no espetáculo em profundidade - um prazo curtíssimo. Não escolhemos In The Heights por acaso. In The Heights é, talvez, mais pertinente do que nunca - o valor e a relevância da comunidade, o significado de “casa”, de povos com origens diferentes. Representa também uma linha que queremos prosseguir, trazendo grandes obras do teatro musical - não necessariamente mediáticas para o grande público - mas que merecem ser contadas em Portugal. Rent inspirou In The Heights e, portanto, há aqui uma linha narrativa que queremos seguir. Hamilton é uma obra-prima e, como tal, merece, naturalmente, a nossa atenção, embora seja um título muito difícil. .Lin-Manuel Miranda à conversa com portugueses do musical 'In The Heights'