Golden Globes. O ano de toda a diversidade

Mank, de David Fincher tem seis nomeações para os Golden Globes do próximo dia 28, mas os suspeitos do costume desta temporada de prémios também estão com bastantes nomeações, como O Pai, Nomadland-Sobreviver na América, Uma Miúda com Potencial e Os 7 de Chicago. Nomeações que coroam a Netflix como principal estúdio este ano nesta corrida, mesmo apesar da flagrante injustiça a Da 5 Bloods - Irmãos de Armas, de Spike Lee, que sai deste anúncio de mãos a abanar.

Os votantes dos Golden Globes abraçaram a tendência de diversidade que assola Hollywood. Atores de várias etnias, mulheres em número superior na categoria de melhor realização e a aposta de talentos muito jovens. Num ano bizarro e marcado pelas estreias em streaming, o grupo de jornalistas da associação dos jornalistas estrangeiros em Hollywood quis vincar esta mensagem de mudança.

Já vencedores apenas com as nomeações são sem dúvida nomes como Sacha Baron Cohen, duplamente nomeado em Os 7 de Chicago (ator secundário) e Borat, o Filme Seguinte (ator de comédia/musical), obra que também conseguiu a nomeação para melhor atriz para a espantosa revelação Maria Bakalova; Linn-Manuel Miranda (melhor ator de comédia/musical) e o seu Hamilton! (que pode ser visto na Disney +), surpresa na lista dos cinco melhores filmes de comédia/musical e o francês Tahar Rahim em O Mauritano, filme que não estava em alta na bolsa das apostas. Também Anya Taylor-Joy está com duas nomeações: em Emma e na série Gambito de Dama, tal como Oliva Colman: na televisão por The Crown e no cinema pelo desconcertante O Pai (melhor atriz secundária).

Obras como Ma Rainey - A Mãe dos Blues, Os 7 de Chicago, One Night in Miami, Mank, Nomadland- Sobreviver na América e Uma Miúda com Potencial são os filmes que reforçam a sua posição de pesos pesados nesta corrida da temporada dos prémios.

Poder-se-á dizer que Nomadland - Sobreviver na América é ainda um sólido favorito, mas nesta cerimónia costuma haver surpresas e a nomeação de melhor realização para cineastas como Emerald Fennell em Uma Miúda com Potencial e Regina King em One Night in Miami, é um sinal que este ano pode ter também surpresas no feminino. Um ano em que a anunciada invasão de cinema afro-americano ficou aquém das expectativas: nem One Night in Miami, Judas and The Black Messiah, Da 5 Bloods - Irmãos de Armas ou Malcom & Marie aparecem na lista dos melhores filmes. Nesse aspeto, convém dizer que o calendário dos Globes prejudica os filmes lançados neste período, daí as ausências mais notórias de Estados Unidos vs Billie Holiday (mesmo assim, a protagonista Andra Day foi nomeada), Judas and The Black Messiah (apenas chegou para a nomeação de Daniel Kaluuya como secundário), Ma Rainey - A Mãe dos Blues ou Malcom & Marie.

Sendo assim, é lícito falar-se em ausentes de peso. Os maiores talvez sejam Spike Lee e o seu Da 5 Bloods, que nem o muito falado Delroy Lindo conseguiu ser nomeado. Os votantes envelhecidos desta associação não quiseram este ano celebrar um filme com um lança-chamas quanto à questão do racismo na América. Desfeita também para Meryl Streep, que tinha hipóteses em dois êxitos das plataformas: Let Them All Talk e The Prom, para Sophia Loren em Uma Vida à Sua Frente e Never Rarely Sometimes, Always, de Eliza Hittman, porventura o filme independente mais celebrado de 2020. A HFPA (Hollywood Foreign Press Association) cometeu também o pecado de ignorar duas atrizes secundárias que certamente podem estar na lista dos Óscares: Ellen Burnstyn (em Pieces of a Woman) e Youn Yu-Jung, de Minari (obra americana que estranhamente está aqui como filme em língua estrangeira graças à predominância da matemática dos diálogos em coreano...). Quanto a Leslie Odom, Jr, que se esperava poder ser nomeado três vezes, fica-se pelas duas. Em Hamilton acabou por não ter sorte, mas é favorito em One Nigth in Miami e pode sonhar em levar o globo para casa já que a canção que escreveu para o mesmo filme está nomeada.

Para além da surpresa Hamilton, nomeado para melhor filme e melhor ator musical e comédia, há que referir o caso de Kate Hudson, nomeada em Music, o filme de Sia. Poucos esperavam este comeback da atriz de Quase Famosos. Estranheza também para o reconhecimento na categoria de melhor comédia/musical de Jamie Corden em The Prom, quando a sua interpretação foi alvo de um linchamento público por parte de uma certa imprensa e para a nomeação como melhor secundário de Jared Leto em As Pequenas Coisas, supostamente a tirar a vaga ao espantoso Paul Racci de Sound of Matal... Referência também à segunda bomba do discreto O Mauritano: a nomeação de Jodie Foster como atriz secundária.

Nas categorias de televisão surpresas nem vê-las: supremacia das séries mais populares: de The Crown, a Gambito de Dama sem esquecer The Undoing e Ozark. A HBO deve estar a esfregar as mãos: a aposta na televisão dos filmes de Steve McQueen agrupados em série televisão chamada Small Axe deu resultados. Está nomeada como melhor minissérie e John Boyega entra na corrida para melhor ator...

Dia 28 em Bevery Hills as maiores estrelas de cinema estão nomeadas na ficção televisiva e não no seu trabalho em cinema. Não deixa de ser surreal encontrar estes nomes em competição: Cate Blanchett (Mrs. América), Hugh Grant (The Undoing), Nicole Kidman (The Undoing), Ethan Hawke (The Good Lord Bird) Al Pacino (Hunters) e Bryan Cranston (Your Honor).

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