Filme russo faz retrato crítico da época de Brejnev

A cinematografia da Rússia volta a marcar presença no mercado português com uma realização de Alexey German Jr.; esta é também a semana de estreia de "Beautiful Boy", retratando um caso de toxicodependência.

Cinema russo? É verdade. Tempos houve em que, apesar de tudo, a presença da produção cinematográfica da Rússia era mais regular no mercado português - daí que se justifique um destaque muito especial para Dovlatov, realização de Alexey German Jr. que esteve no Festival de Berlim, onde ganhou um prémio para a melhor contribuição artística (guarda-roupa e cenografia). A não esquecer também Beautiful Boy, sobre um caso de toxicodependência, desde já um candidato forte a algumas nomeações para os Óscares.

DOVLATOV

Em meados da década de 70, na URSS, o escritor Sergei Dovlatov (1941-1990) era um dos escritores bloqueados pela ação da censura do aparelho estatal comunista, procurando sobreviver através de alguns trabalhos jornalísticos. Realizado por Alexey German Jr., o filme consegue a proeza de construir um retrato intimista de Dovlatov (magnífica interpretação do actor sérvio Milan Maric), ao mesmo tempo que elabora um fresco histórico de uma época de muitas esperanças e ainda mais desencantos. Particularmente surpreendente é o modo como German nos faz sentir as dinâmicas políticas sem necessitar de recorrer a simbolismos esquemáticos - esta é uma história de gente viva, marcada por um invencível desejo de liberdade, e também um exemplo modelar de uma cinematografia que justifica uma maior e, sobretudo, mais regular atenção por parte de distribuidores e exibidores.

BEAUTIFUL BOY

Esta é a angustiada odisseia familiar e afectiva de Nic Sheff, jovem marcado por várias formas de toxicodependência, sempre acompanhado pelo pai, David Sheff. O filme adapta as memórias escritas por ambos, num registo de invulgar delicadeza emocional, com brilhantes interpretações de Timothée Chalamet e Steve Carell (ambos na lista de sérios candidatos a nomeações para os Óscares) - trata-se de uma produção americana dirigida pelo belga Felix van Groeningen.

E AINDA

A partir desta semana nas salas escuras, há ainda Djon África, de João Miller Guerra e Filipa Reis, centrado na odisseia de um jovem que procura conhecer as suas raízes cabo-verdianas, e Força Ralph: Ralph Versus Internet, proposta de animação dos estúdios Disney, retomando uma personagem de sucesso (Força Ralph, 2012).

Um destaque muito especial vai para o regresso de 2001: Odisseia no Espaço (1968), através de uma reedição em DVD e Blu-ray, assinalando os 50 anos da obra-prima de Stanley Kubrick - sobre a herança, cinematográfica, técnica e filosófica de Kubrick, vale a pena ver ou rever este documentário de Gary Leva, produzido em 2007.

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