Ficam a voz, os poemas, o carisma e muitos amigos pelo mundo. As reações à morte de Jorge Palma

Presidente, primeiro-ministro e músicos evocam a voz única, os poemas, o carisma e a obra extraordinária do cantor e compositor que marcou gerações com temas como “Frágil” e “Bairro do Amor”.
Ficam a voz, os poemas, o carisma e muitos amigos pelo mundo. As reações à morte de Jorge Palma
André Rolo

Camané destaca "grande compositor" e perda de "um amigo

O fadista Camané destacou no Instagram Jorge Palma como um "grande compositor, grande letrista, homem de cultura e da cultura" e "um amigo".

"Um abraço, Jorge", acrescentou.

Ministra da Cultura evoca "uma das vozes mais icónicas da música portuguesa"

A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, lamentou numa publicação na rede social X a morte de "uma das vozes mais icónicas da música portuguesa das últimas décadas".

"Ao cantautor extraordinário, agradecemos o legado único com vários temas inesquecíveis como 'Frágil', 'Dá-me Lume' ou 'Bairro do Amor'. À família e amigos, sentidas condolências", acrescentou.

Samuel Úria diz que perda de Jorge Palma "não é sequer do domínio do dizível"

O músico Samuel Úria reagiu nas suas redes sociais, partilhando um vídeo de uma versão sua da música "Beijos e Papas de Leite", gravada aquando dos 70 anos de Jorge Palma.

"O que hoje perdemos não é sequer do domínio do dizível. Mas o que fica é, e será - pelo menos enquanto este país existir (e houver estrada para andar)", escreveu Úria.

"Que miseráveis que teríamos sido sem ti, Jorge. E agora?", acrescentou

Presidente da República lamenta morte “de um dos ícones” da música portuguesa

António José Seguro, no site da Presidência da República, disse ter recebido a notícia da morte de Jorge Palma “com enorme tristeza e consternação” e disse que o país se despede “de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade”

“As suas canções hão de ficar como uma recordação intensa e profunda da nossa melancolia”, continuou, frisando que elas marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações”.

“Os acordes, os ritmos e as melodias de temas inesquecíveis como ‘Bairro do amor’, ‘Na terra dos sonhos’, ‘Estrela do mar’, ‘Deixa-me rir’, ‘Frágil’, ‘Encosta-te a Mim’, ‘A Gente Vai Continuar’ ou ‘Dá-me Lume’ recordarão o seu lirismo imprevisível e nunca de efeito fácil ou efémero”, sublinhou o Presidente.

“Além de criador e intérprete de exceção, Jorge Palma foi também um artista que colaborou e trabalhou com muitos outros companheiros, mostrando sempre uma rara versatilidade e ecletismo, o que fez dele uma referência da nossa história musical ao longo dos últimos cinquenta anos”. lê-se ainda na mensagem.

O Presidente da República destacou ainda que “Jorge Palma emprestou à música portuguesa um caráter único e uma busca incessante da beleza que construiu uma utopia da amizade, do amor, da generosidade – e do riso”.

“De certa maneira, todos habitámos o seu bairro do amor, todos nos rimos com os seus versos, todos nos sentimos frágeis, todos prometemos continuar a ser aqueles que fomos quando cantámos as suas canções pela primeira vez ou quando elas deram sentido às nossas vidas”, sublinhou, lembrando o “talento raro e precisoso que nos contagiou a todos com o seu vírus de harmonia, beleza e rebeldia”.

“É assim que o ouviremos até ao fim. A gente vai continuar”, concluiu António José Seguro, sem antes lembrar que Jorge Palma estava previsto para participar na Festa do Livro em Belém, que ocorreu este fim de semana.

“Infelizmente, já não pôde juntar-se a nós devido ao seu estado de saúde. Por isso são ainda mais intensos o choque e a tristeza vividos hoje, com a notícia da sua morte”, expressou, deixando as condolências à família do músico e a “todos os artistas que estiveram ligados à sua música e à sua carreira”.

Montenegro destaca “voz única e músicas intemporais”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, enalteceu o contributo do músico Jorge Palma para a cultura portuguesa, com a sua "voz única e músicas intemporais".

"Jorge Palma parte, mas a sua música fica. Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações", afirmou o chefe de governo em mensagem no X, logo após ser conhecida a morte do músico.

"Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais", adianta Montenegro, deixando condolências à família e amigos de Jorge Palma, em nome pessoal e do Governo.

David Fonseca: "O que eu mais admirava era a sua forma inconformada de estar no mundo"

David FOnseca partilhou uma mensagm nas redes sociais em que começa por dizer que a sua "admiração profunda" por Jorge Palma tem várias frentes, referindo o facto de este ser um "prodigioso compositor, letrista e intérprete, um pianista fora de série, um poeta, um observador astuto do nosso mundo, todas as qualidades que o colocam há décadas como um dos maiores músicos de sempre do nosso país".

"Mas a que eu mais admirava era a sua forma inconformada de estar no mundo, um espírito livre que não se encaixava em nenhuma prateleira possível", realçou David Fonseca. "Num mundo tão formatado como o nosso, ele seguiu o seu caminho único, igual a si próprio e a mais ninguém", acrescentou, contando que sempre que privava com Palma o seu "nervosismo de eterno admirador era sempre desfeito pelo à vontade e simplicidade da sua forma de estar".

"Por vezes, o nosso país consegue ter memória curta com os seus artistas, mas não no caso do Jorge. Presenciei muitas vezes o carinho e admiração absoluta que o público tinha com ele nas suas actuações e o silêncio imediato ao início de cada canção, como se não quisessem perder uma única nota do mestre. E também o aplauso ruidoso que se seguia quando parava, acompanhado de declarações de amor em alta voz", disse nesta mensagem em que surge a tocar "Frágil" ao lado de Jorge Palma.

"FIcam a voz, os poemas e o carisma", diz Paulo Rangel

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirma que é "um dia triste - muito triste - para a música portuguesa e, claro, para todos os que o amavam".

Na sua página na rede social X, Paulo Rangel escreve que, perante a morte do cantor e compositor, "ficam a voz, os poemas e o carisma".

Paulo Rangel abre a mensagem citando uma das canções do músico - “O que eu não vivi, hei-de inventar contigo” -, e termina-a garantindo: "O que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele".

José Luís Carneiro realça obra extraordinária de um homem livre

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, reagiu à morte de Jorge Palma, recordando um dos "maiores músicos e compositores" portugueses e a sua "obra extraordinária".

"Jorge Palma deixa-nos uma obra extraordinária, feita de palavras, melodias e canções que atravessaram gerações e que ficarão para sempre na memória coletiva dos portugueses", escreveu José Luís Carneiro, na sua página oficial na rede social X, afirmando que "Portugal perdeu um dos seus maiores músicos e compositores".

"Homem livre, de uma criatividade singular e de uma autenticidade rara", Jorge Palma "fez da música também uma forma de celebrar a liberdade", acrescentou José Luís Carneiro, que conclui: "Obrigado por tanto, Jorge Palma. A gente vai continuar".

Jorge Palma deixa "obra assinalável" e "muitos amigos pelo mundo"

O músico Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, 21 de setembro. “É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória” anunciou a família do músico, numa mensagem partilhada nas redes sociais.

A família recorda que Jorge Palma, com uma carreira com mais de meio século, “deixa uma obra assinalável que faz parte da história” portuguesa, bem como “muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade”.

A mulher de Jorge Palma, Rita Tomé, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os agentes do músico, André Sebastião e Tiago Branco, “neste momento de dor incalculável”, pedem que o autor de temas como “Frágil”, “Bairro do Amor”, “Estrela do Mar”, “Na terra dos sonhos” e “Deixa-me rir” seja lembrado “pelas suas canções e palavras”, agradecendo “toda a amizade demonstrada ao longo dos anos”.

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