Eurovisão muda regras: país em conflito armado ou em situação geopolítica sensível não pode receber festival
O Festival Eurovisão da Canção anunciou esta quarta-feira, 12 de agosto, alterações às suas regras, especificando que o país vencedor, que tradicionalmente acolhe o concurso no ano seguinte, deixará de o poder fazer, se estiver em guerra.
"As regras do concurso estipulam agora que a emissora vencedora ficará automaticamente inelegível para acolher o concurso se um conflito armado, uma situação geopolítica sensível ou qualquer outra situação afetar significativamente a segurança ou a estabilidade do seu Estado ou região circundante", anunciaram os organizadores da Eurovisão, em comunicado, citado pela agência noticiosa France Presse.
A BBC, no seu site, adianta que a alteração foi aprovada, com a auscultação das emissoras participantes, depois da edição deste ano do festival, realizada em Viena, pela ORF.
Esta atualização é interpretada como uma reação à presença contínua de Israel no concurso, no meio das críticas às suas ações militares em Gaza e no Médio Oriente, refere a BBC.
Em novembro passado, após uma tentativa falhada de suspender Israel, cinco emissoras anunciaram que iriam boicotar a competição – incluindo as "potências" da Eurovisão, Espanha, com duas vitórias, em 1968 e 1969, e Irlanda, que venceu já por sete vezes, em 1970, 1980, 1987, 1992, 1993, 1994 e 1996.
Apesar dos protestos, o israelita Noam Bettan alcançou, este ano, o 2.º lugar, com a canção "Michelle". A canção vencedora foi "Bangaranga", defendida por Dara, representante da Bulgária.
Festival de 2027 na cidade búlgara de Burgas de 11 a 15 de maio
A cidade búlgara de Burgas, junto ao Mar Negro, foi a escolhida para receber a 71.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, nos dias 11, 13 e 15 de maio de 2027, anunciaram esta quinta-feira, 13 de agosto, a União Europeia de Radiodifusão e a Televisão Nacional Búlgara.
As meias finais, em 11 e 12 de maio, e a final do concurso, no dia 15, realizar-se-ão "na mais recente arena desportiva e de entretenimento da Bulgária, a Burgas Arena, inaugurada em 2023", acrescenta o comunicado conjunto dos dois organizadores, publicado no 'site' da Eurovisão, acompanhado desde já por "um guia" da cidade.
De acordo com a Eurovisão, "Burgas foi selecionada após um processo competitivo que envolveu quatro cidades búlgaras", entre as quais Sófia, a capital do país, assim como Plovdiv e Varna.
A escolha foi feita por "um grupo de trabalho internacional", composto por representantes da televisão pública búlgara BNT e da União Europeia de Radiodifusão (UER/EBU, na sigla original em inglês), com especialistas que trabalharam no Festival Eurovisão da Canção nos últimos anos, que "analisaram as candidaturas apresentadas, visitaram os locais propostos, realizaram reuniões com as equipas municipais e conduziram sessões de trabalho ao longo do processo de avaliação", adianta o comunicado publicado no 'site' da Eurovisão.
Burgas foi escolhida "pela sua sólida proposta geral, que combina o potencial técnico e de infraestruturas exigido para o Festival Eurovisão da Canção com capacidade de alojamento, transporte e conectividade internacional, forte empenho do município e uma visão clara para transformar toda a cidade em parte da experiência Eurovisão", prossegue o comunicado.
A televisão búlgara adiantou, por seu lado, que as cidades de Sófia, Plovdiv e Varna, que também se candidataram para acolher o concurso, vão participar "no programa paralelo", aproveitando ideias que apresentaram ao longo do processo.

