Eurovisão, Baile Funk e Fado no Castelo de Sines

O castelo de Sines abriu ontem, quinta-feira, as portas para programação do Festival Músicas do Mundo. Sara Correia, Letrux, Mdou Moctar, Flavia Coelho e Dubioza Kolektiv fizeram parte do cartaz do evento e encheram o recinto.

Fado sobe ao palco

No final de tarde de ontem, quarta-feira, o relógio marcava as 18h e a entrada no Castelo de Sines era ainda gratuita quando Sara Correia subiu ao palco vestida de azul e acompanhada por uma banda. Trouxe pela primeira vez aquilo que diz ser a sua "vida", ou seja, o fado.

A fadista contou ao público no local que costuma ser o seu destino de férias: "Estou muito feliz de estar aqui hoje. Passo aqui férias e sou muito feliz aqui. Adoro esta cidade. É altura de retribuir tudo aquilo que a cidade me deu", disse no início do concerto.

Num momento mais calmo, cantou o seu primeiro single escrito pela cantora Joana Espadinha, Chegou tão Tarde. O público recebeu a fadista e acompanhou-a a cantar ou a dançar.

"Tive a sorte de poder cantar esta música que fala do que é o fado para mim. A Carolina Deslandes a escrever esta música e conhece-me ao ponto de escrever uma música que representa tão bem aquilo que o fado é para mim", explicou antes de atuar a música Porquê do Fado.

Pouco antes do final, a cantora saiu do palco ficando apenas a guitarra portuguesa, o baixo, viola de fado, a bateria e o teclado e acordeão. Um contraste para quando a cantora volta a entrar e apenas se fez ouvir a sua voz com O fado nasceu um dia.

"Gostei muito de estar aqui. Obrigada Sines" afirmou a cantora antes de passar para a última música e que surpreendeu o público: Estranha forma de vida de Amália Rodrigues.

Letrux: o sonho de Sines e o apoio a Lula

Letícia Novaes, ou Letrux, foi outra estreia no palco do Castelo de Sines, um sonho realizado desde o tempo em que passava férias "loucas" em Porto Covo e ouvia falar do festival, disse a cantora brasileira .

Com o recinto composto, mas não cheio devido a problemas com a fila de entrada, a cantora brasileira subiu ao palco e espalhou energia.

Apesar do frio no local, Letrux trouxe música "de verão" com Me Espera para aquecer o público com saltos e muita dança. "É uma música que fala de verão, vamos fingir que estão 44 graus",disse.

Dedicou também A Que Estrago a todas as mulheres presentes no concerto. Durante a atuação, ainda trouxe magia ao palco e tirou uma fita vermelha da boca.

Sem sapatos e de meias vermelhas, tirou o macacão preto que tinha vestido e com calças dourada vestiu uma camisola vermelha com letras que diziam "Lula 2022" e que na parte de trás tinha estampado a cara de ex-presidente e atual candidato à presidencia do Brasil, Lula da Silva.

Aos poucos, o recinto encheu e o público juntou-se para cantar os parabéns ao baixista da banda, Ricardo Dias, que comemorou o seu aniversário. "Que amor. Essa canção de parabéns é mais criativa porque no Brasil nós repetimos a mesma coisa. Vamos roubar", disse a cantora na brincadeira com público.

Dedicou a sua música Salve Poseidon ao mar, devido à localização do festival, perto do mar. "Queria estar em todas as consistências do mundo porque é quando estamos todos mais ligados."

Na última música Vai Brotar, a cantora pediu para que todos se divertissem, e o público respondeu afirmativamente.

Mdou Moctar: um concerto com pouca interação

Diretamente do Níger para Sines, Mdou Moctar e sua banda entraram em palco vestidos com trajes típicos do seu país de origem. O artista estreou-se, também, no festival.

Apresentou o seu álbum mais recente Afrique Victime de 2021, onde reflete sobre os direitos das mulheres, a desigualdade e a exploração da África Ocidental pelas potências coloniais.

Apesar da pouca interação com o público, os artistas conseguiram manter o recinto animado. Um concerto que na foi sobretudo instrumental com som de uma guitarra principal, guitarra rítmica, baixo, e bateria. Mdou Moctar demonstrou ainda alguns truques com a guitarra, improvisando um pouco e tocando com a palma da mão.

"Obrigado! Merci! Thank you!" disse o músico no final do seu concerto.

O Regresso do Baile Funk Carioca de Flávia Coelho

Depois da sua estreia no festival em 2019, Flávia veio substituir o concerto da artista Pongo, após o cancelamento do mesmo. Apenas acompanhada do produtor francês Victor Vagh no teclado, a cantora brasileira atuou e encheu o palco.

Sempre de um lado para outro com um fato prateado e casaco rosa a condizer com a cor do cabelo, falou da realidade das prisões antes de atuar a música Sunshine de 2010. "A realidade das prisões no mundo inteiro principalmente no meu país [Brasil] é muito dura. Vamos nos cuidar e amar porque este mundo precisa de mais sol e de mais luz", declarou.

Ainda durante o concerto, a cantora deixou uma mensagem de amor e paz. "Guardem a força de vocês. Façam amor e não a guerra", mas antes do tema do Billy Django Flavia apenas disse: "Fora Bolsonaro."

Antes de terminar o concerto, a artista quis mostrar como se dança o baile funk da sua infância. Seguindo as instruções de quem estava no palco, o público de braços no ar movia-os de um lado para o outro de lado cada vez mais rápido.

Foi feito ainda um convite ao público para mandar mensagem à artista: "Pode-me convidar no instagram que dou beijo em todo o mundo. Pode-me convidar no facebook que eu vou comer a casa de vocês."

E assim como entrou também saiu e foi sempre a dançar.

Dubioza Kolektiv: vencedores da Eurovisão 2035?

"Senhoras e Senhores",ouve-se pelo recinto a voz do google tradutor em português, parando todo o recinto. Depois de uma breve introdução de cada membro, o grupo sobe ao palco de amarelo e preto e os gritos começam. Dubioza Kolektiv não são estranhos ao público português, já tendo passado pelo festival outras duas vezes em 2012 e 2013.

Com uma pequena contagem decrescente e os números 4, 3,2, 1 em placas de cartão, tocam a música U.S.A. Em vez de "I am from Bosnia, take me to America" ouvi-se "I am from Portugal take me to America."

Falaram num português perfeito: "Boa noite Sines, como estão? Tudo bem?Obrigada por nos convidar para este festival novamente."

Apesar da Bósnia não fazer parte da União Europeia, como disse Dubioza, participaram na Eurovisão em 2016. Por essa razão o grupo deixou o apelo "Façam a Bósnia participar novamente na Eurovisão", escrito em inglês numa bandeira que os membros levantaram.

Tudo para apresentar a "música vencedora da Eurovisão 2035", Eurosong, uma crítica à própria Eurovisão.

Chamaram ao palco um convidado especial: o Robby Megabyte. Vestido de robot com uma cabeça de cartão cantou juntamente com o grupo a Take my Job Away.

A interação com o público não parou. Ainda houve tempo para um karaoke que os Dubioza preparam para o público português.

De lanternas acesas, o grupo tocou a música Don"t Worry Be Happy de Bobby McFerrin, dedicada aos últimos dois anos de covid. E a plateia acompanhou o grupo com as suas vozes.

Antes de terminar o concerto, os Balcãs não poderiam deixar o palco sem ensinar o povo português uma dança da Bósnia. Abraçados uns aos outros e aos saltos e o recinto todo a imitar. "Mal posso esperar para vos ver outra vez", disseram.

Nesta quinta-feira, dia 28 de julho, fazem parte do programa do castelo as atuações de Bia Ferreira, Albert Pla, James BKS, Ana Tijoux e o movimento Steam Down.

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