ESTREIAS: "Green Book" está na linha da frente para os Óscares

Das cinco nomeações, Green Book conquistou três, incluindo a categoria de melhor filme do ano. Mahershala Ali conquistou o Óscar de melhor ator secundário e o filme foi ainda distinguido com o melhor argumento original.

O mercado cinematográfico português investe sempre nos Óscares como um importante elemento promocional. Nem sempre revelando estratégias minimamente atentas, é verdade - já houve casos de títulos candidatos (ou vencedores) que foram estreados fora da temporada dos prémios, inevitavelmente esbanjando trunfos publicitários. Neste ano, o lançamento dos principais candidatos tem acontecido de forma regular, sendo o caso de Green Book - Um Guia para a Vida Especialmente Feliz. Isto porque a sua estreia, nesta semana, ocorre dois dias depois do anúncio das nomeações pela Academia de Hollywood.

A realização de Peter Farrelly surge na linha da frente, em cinco categorias, incluindo a de melhor filme do ano e duas de interpretação (ator e ator secundário, respetivamente para Viggo Mortensen e Mahershala Ali). Em cena está a relação de um branco e um negro no sul dos EUA, no começo da década de 1960. Dito de outro modo: num misto de subtileza emocional e ironia política, este é um sintoma de um tempo em que a produção dos EUA volta a enfrentar as convulsões da história social do seu próprio país.

Também filme de memórias, embora com uma proposta bem diferente, é Em Trânsito, do alemão Christian Petzold, que tem sido, aliás, um exemplar retratista das convulsões do seu país - lembremos os exemplos de Barbara (2012) e Phoenix (2014). Desta vez, adapta uma romance de Anna Seghers (1900-1983) sobre a fuga de um homem depois da invasão da França pelos nazis. Acontece que Petzold preserva a dimensão dramática dos acontecimentos, mas transferindo-os para cenários... do nosso presente. O resultado é uma narrativa convulsiva em que a odisseia dos refugiados desencadeia perturbantes ecos simbólicos, remetendo-nos para a atualidade.

Memórias da Segunda Guerra Mundial estão também presentes em Debaixo do Céu, por certo um dos mais elaborados e brilhantes documentários portugueses que, em tempos recentes, chegaram às salas escuras. O realizador Nicholas Oulman combina depoimentos de judeus que saíram da Alemanha nos anos 1930, depois da chegada dos nazis ao poder, com imagens de arquivo muito pouco divulgadas - trata-se de ver e escutar, sublinhando a necessidade de preservar a memória.

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