Estado assume que perdeu 170 obras de arte à sua guarda

O destino das coleções de arte estão na ordem do dia em Portugal. Desta vez é o Estado a assumir que desconhece a localização de dezenas de obras de arte que David Mourão-Ferreira deu ordem para reunir em 1976.

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) confirmou ao DN que terminou o trabalho de atualização do inventário da Coleção Secretaria do Estado da Cultura (Coleção SEC) e que está a "identificar a exata localização de algumas obras de arte". É a resposta à notícia do semanário Expresso que revela que o Estado perdeu o rasto a 170 obras de arte desta coleção do Estado português.

O comentário da DGPC não clarifica se estas peças poderão ser recuperadas, pelo contrário a afirmação de que "esse trabalho de inventariação está concluido" indicia que a sua recuperação será muito difícil. É o que se pode concluir da resposta em que reafirma que "neste momento" o que está a "ser desenvolvido pela DGPC é um trabalho de atualização do inventário".

Entre as obras que desconhece o paradeiro estão peças de Pedro Cabrita Reis, quadros de Vieira da Silva ou fotografias de Gérard Castello-Lopes. Ao todo a Coleção Secretaria do Estado da Cultura (Coleção SEC) deveria ter 1367 obras à sua guarda, reunidas a partir de 1976 por ordem do então responsável, David Mourão-Ferreria.

A Coleção SEC resulta da aquisição de obras ao longo de 43 anos pelo Estado, no entanto a cedência de peças durante este período nem sempre foi controlada, desconhecendo-se a localização exata das referidas 170 obras que a DGPC assumiu àquele semanário não saber onde estão ou em posse de quem estão.

A DGPC remete para a próxima semana posteriores desenvolvimentos sobre este caso, no entanto esclarece que esta inventariação nunca fora feita até agora. "Pela primeira vez, em décadas, o Estado procedeu a uma inventariação detalhada e exaustiva da coleção de obras de arte do Estado", refere.

Considera a DGPC que "esse trabalho de inventariação está concluído", e que o próximo passo "que está neste momento a ser desenvolvido pela DGPC é um trabalho de atualização do inventário". Findo este processo, explica, deverá ser permitido "identificar a exata localização de algumas obras de arte".

Segundo o jornal noticia, entre as várias obras de arte perdidas estão desenhos de Júlio Pomar, fotografias de Helena Almeida, duas situações entre um sem fim de perdas: Abel Manta, António Dacosta, Fernando Lanhas, Graça Morais, José de Guimarães, Pedro Proença, Rosa Ramalho, entre muitos outros artistas nacionais e estrangeiros.

O empréstimo de obras da Coleção SEC serviam à decoração de representações internacionais de Portugal, designadamente embaixadas, que ao serem contactadas posteriormente para devolução das peças responderam que desconheciam o seu paradeiro.

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