Lídia Jorge é a vencedora do Prémio Pessoa, anunciou esta quinta-feira, 11 de dezembro, Francisco Pedro Balsemão, presidente do júri do Prémio Pessoa, uma iniciativa do Expresso com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que visa reconhecer a atividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país. O valor do Prémio é de 70 mil euros, e no ano passado foi distinguido o compositor Luís Tinoco.O responsável realçou que esta foi a primeira edição da iniciativa, que já vai na 39.ª, após a morte de Francisco Pinto Balsemão. "Já no ano passado sentimos um vazio, este ano a sua ausência foi quase insuportável", disse, manifestando-se feliz pela obra e pelo legado deixado pelo pai, fundador do grupo Impresa.Lídia Jorge é uma das mais premiadas escritoras portuguesas, com títulos como O Dia dos Prodígios (1980), O Cais das Merendas (1982), Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A Costa dos Murmúrios (1988). Mais recentemente, a escritora publicou os romances Estuário (2018) e Misericórdia (2022). Este último livro, editado pela Dom Quixote há três anos, recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Urbano Tavares Rodrigues, o Prémio do PEN Clube Português, o Prémio Fernando Namora e o Prémio Médicis estrangeiro, em França, em 2023. "A sua obra, que abrange ainda o conto, o teatro, a poesia, a literatura infantil, o ensaio e a crónica, está traduzida em mais de vinte línguas e é objeto de estudo académico em universidades de todo o mundo. Várias das suas produções têm sido adaptadas para teatro, televisão e cinema", sublinha o comunicado deste prémio promovido pelo semanário Expresso e CGD. O júri do Prémio, presidido por Francisco Pedro Balsemão e de que fizeram parte Paulo Macedo, presidente executivo da CGD, Ana Pinho, Ana Tostões, António Barreto, Diogo Lucena, Emílio Rui Vilar, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques", destaca, em ata, que "a sua escrita criativa e diversificada tem sido capaz de revelar o poder da literatura para nos ajudar a compreender os grandes desafios do mundo contemporâneo e a sua intervenção cívica corajosa tem contribuído decisivamente para enriquecer o debate democrático na sociedade portuguesa”."A obra de Lídia Jorge incide sobre um espetro muito amplo de temáticas, desde o impacto de situações vivenciais extremas nos seus personagens à recriação de contextos que evocam momentos históricos decisivos da vida portuguesa do último século, em particular no período pós-25 de Abril, como a descolonização, a transição da ditadura para a democracia, a exclusão social e a emergência de novos fenómenos de discriminação e fratura social", descreve o júri.Lídia Jorge é uma das escritoras portuguesas mais reconhecidas no estrangeiro, tendo sido distinguida com o Prémio da Latinidade da União Latina, o Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura, o Prémio da Feira Internacional de Literatura de Guadalajara, Prémio Günter Grass e o já referido Prémio Médicis. Em França, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e a Comenda de Artes e Letras. Na Universidade de Genebra foi criada, em 2020, a Cátedra Lídia Jorge, e a Universidade Federal de Goiás, no Brasil, fez o mesmo em 2024. A Universidade de Aveiro (2024) e a Universidade dos Açores (2025) atribuíram-lhe o doutoramento Honoris Causa. A escritora faz parte do Conselho de Estado, o órgão consultivo da Presidência da República, desde 2021. Em comunicado, a editora Dom Quixote diz que "esta distinção confirma o estatuto de Lídia Jorge como a mais importante, reconhecida e premiada escritora portuguesa da atualidade "..Compositor Luís Tinoco vence prémio Pessoa