Das guitarradas na rua ao topo da pop. Como é que Ed Sheeran chegou até aqui?

O rapaz que tocava guitarra na rua é, atualmente, um dos músicos mais ricos do mundo. Este fim de semana vai encher por duas vezes o Estádio da Luz, em Lisboa.

Há já muito tempo que o Estádio da Luz não via uma coisa assim: depois da festa dos campeões e antes de ganhar um relvado novo, o campo do Benfica vai receber o músico inglês Ed Sheeran para dois concertos, sábado e domingo, em Lisboa.

Aos 28 anos, Sheeran, autor de temas que toda a gente saber cantarolar, como I See Fire ou, mais recentemente, Shape of You, é um dos mais populares e mais ricos músicos do mundo. Mas há algo que não muda nele: continua a preferir subir ao palco sozinho, só com a sua guitarra, mesmo quando tem de enfrentar multidões, como aconteceu em 2014 no Rock in Rio Lisboa e como vai voltar a acontecer agora. Traz uma caixa de ritmos e vai produzindo, ao vivo, todo o acompanhamento musical que precisa, sem qualquer banda. Claro que não canta sozinho - geralmente tem o público a cantar com ele ao longo de todo o concerto. E, pelo meio, vai contando pequenas histórias. Na semana passada, depois do concerto em Lyon, na França, a revista Paris Match chamou-lhe um "tagarela". Sheeran "possui aquele sedutor humor britânico, que lhe permite mostrar que nunca se leva a sério, nem quando está perante 52 mil pessoas", escreveu a revista.

Das esquinas para os estádios

Edward Christopher Sheeran nasceu a 17 de fevereiro de 1991, em Halifax, na Inglaterra, e começou a aprender música muito cedo, logo com quatro anos. O videoclipe de Photograph, tema do álbum X, é feito com imagens dos vídeos caseiros de Ed Sheeran desde que ele era bebé até chegar aos grandes palcos, mostrando como era um miúdo adorável a aprender a andar, a fazer desenhos e a ter aulas de piano e como venceu a timidez e começou a tocar numa esquina aos 15 anos.

Começou a ser convidado para participar em concertos e a conquistar fãs através do YouTube e, mesmo sem editora, lançou um primeiro EP. Em 2010, ainda não tinha assinado por nenhuma editora mas já partia corações:

O seu álbum de estreia, + (Plus/ Mais) foi lançado em 2011 e chegou rapidamente aos lugares cimeiros das tabelas de vendas do Reino Unido e da Austrália. De então para cá, com três discos no mercado, cada um com uma das operações matemáticas no título (soma, multiplicação e divisão), e com sucessos como Stay With Me ou Thinking Out Loud, Sheeran não tem parado de bater recordes - seja no número de discos vendidos, downloads ou streamings, seja na receita obtida com as digressões. Em 2018, ele foi o músico que mais lucrou com a venda de bilhetes para os seus concertos, de acordo com os dados recolhidos pela Pollstar, batendo Taylor Swift com a sua "Reputation Tour" e deixando ainda mais para trás a digressão "On the Run II", do casal Jazy-Z e Beyoncé.

No final de 2016, a Forbes avaliava a sua fortuna em cerca de 33,5 milhões de dólares (31 milhões de euros). Em 2018, a mesma publicação já falava em 110 milhões de dólares (mais 98 milhões de euros). Ed Sheeran era, na lista da Forbes, o mais rico músico a solo. Em maio deste ano, o Sunday Times atribuía-lhe uma fortuna na ordem dos 160 milhões de libras (181 milhões de euros), batendo Adele na lista dos artistas mais ricos do Reino Unido. De acordo com o jornal, o músico conseguiu duplicar a sua fortuna em apenas um ano.

O soldado ruivo de Guerra dos Tronos

Depois de saber que a atriz Maisie Willimans era uma grande fã de Ed Sheeran, os produtores de Guerra dos Tronos decidiram convidar o músico para fazer uma participação especial na série. Ele fez uma breve aparição no início da sétima temporada: era um dos soldados de Lannister num acampamento por onde passou Arya Stark. À volta da fogueira, Sheeran cantava um pouco do tema Hands of God. Arya gosta da canção e senta-se a conversar com os soldados:

Depois do episódio ir para o ar, o músico foi bastante criticado na redes sociais. O backlash pela participação em Guerra dos Tronos foi tanto, que Ed Sheeran decidiu apagar a sua conta de Twitter. "Eu sei que os fãs de Guerra dos Tronos esperavam que a minha personagem fosse brutalmente morta, mas eu acho que a minha personagem ainda anda por aí", comentaria mais tarde.

Sheeran não voltou a aparecer na série mas, na oitava temporada, voltamos a ouvir falar "daquele rapaz, Eddie", "o ruivo", e alguém diz que ele ficou com o rosto queimado na batalha e agora não tem pálpebras. "Como é que alguém dorme sem pálpebras?" Nem todos terão percebido a referência, mas Ed Sheeran fez questão de agradecer aos produtores de Guerra dos Tronos: "Eu sabia que era um sobrevivente", brincou, na sua conta de Instagram.

Esta não foi a primeira vez que Sheeran apareceu numa ficção e não será a última. Já tocou piano em Os Simpsons e vamos vê-lo em breve em Yesterday, o filme de Danny Boyle que conta a história de um músico que, depois de um acidente, inexplicavelmente, se encontra num mundo onde é a única pessoa que se lembra dos Beatles e aproveita para fazer fortuna interpretando as famosas canções dos Quatro de Liverpool. O filme estreia em Portugal a 27 de junho.

Um novo disco a caminho

Depois do sucesso de + Plus (2011), x Multiply (2014) e ÷ Divide (2017), o músico já tem pronto o seu próximo disco, que irá chamar-se Nº6 Collaborations Project e que, como o próprio nome indica, estará cheio de colaborações. Para além de I Don't Care, o tema já lançado com Justin Bieber, e de Cross Me, com Chance the Rapper e PNB Rock, o disco conta com participação já confirmada de Bruno Mars. Outros nomes serão conhecidos em breve. A data de lançamento é 12 de julho.

Este é o divertido videoclipe em que Ed Sheeran aparece a cantar de roupão e Justin Bieber está mascarado de gelado, entre outras roupas e "corpos" estranhos:

O título do novo disco é uma referência ao primeiro EP de Ed Sheeran, de 2011: Nº 5 Collabration Project. Na altura, o músico contou com participações dos rappers Devlin e Wiley e outros jovens. É esse espírito colaborativo que ele pretende recuperar.

O último disco de originais de Ed Sheeran foi lançado em 2017. Desde então, ele apareceu em temas de Taylor Swift (End Game) e Eminem (River), e escreveu canções para outros músicos, como Lian Payn, Shawn Mendes, Jessie Ware e Dj Snake. Portanto, é muito provável que alguns deles possa aparecer no novo trabalho. De resto, Ed Sheeran nunca se escusa a uma boa parceria. Antes mesmo deste projeto, o seu nome já estava associado, por exemplo, aos One Direction (para quem escreveu a canção Moments, entre outras), a Taylor Swift (com quem fez Everything Has Changed, do álbum Red, e com quem tocou em digressão) ou a Justin Bieber (a quem ofereceu Love Yourself).

O que vai Ed Sheeran tocar em Lisboa?

A atual digressão de Ed Sheeran arrancou em março de 2017 em Turim, na Itália, e irá terminar a 26 de agosto em Ipswich, na Inglaterra. Ao longo destes dois anos, o alinhamento do concerto mudou pouco, apenas o suficiente para ir acomodando os temas novos, como I Don't Care, que já é um êxito global. Nos concertos que deu em França, em maio, estas foram as canções que interpretou:

Castle on the Hill
Eraser
The A Team
Don"t / New Man
Dive
Bloodstream
I Don't Care
Tenerife Sea
Lego House / Kiss Me / Give Me Love
Galway Girl
Poor Wayfaring Stranger / I See Fire
Thinking Out Loud
Photograph
Perfect
Nancy Mulligan
Sing


Encore
Shape of You
You Need Me, I Don"t Need You

Isto é o que tem de saber se vai ao concerto

Abertura de portas: 16.00

A promotora Everything is New aconselha os fãs de Ed Sheeran a usarem os transportes públicos e a chegarem cedo ao Estádio da Luz, em Lisboa, uma vez que à entrada haverá um apertado controlo de segurança e de validação de bilhetes (atenção: é preciso levar o comprovativo de compra dos bilhetes e um documento de identificação com foto). Todas as informações sobre o que pode ou não levar para o estádio estão no site da Everything is New.

Os concertos têm início às 18.15, com a atuação de Ben Kweller. Seguem-se Zara Larsson (18.45) e James Bay (19.45).

O concerto de Ed Sheeran começa às 21.00 e deverá terminar às 23.00.

Ainda há bilhetes à venda para os concertos de sábado e domingo, com preços entre os 60 e os 85 euros.

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