Deve haver arte proibida a crianças? Pediatras e educadores respondem

O pediatra Mário Cordeiro, o neuropediatra Nuno Lobo Antunes, a psicóloga Ana Santos, a diretora do Museu Berardo, e as responsáveis pelo serviço educativo dos museus Gulbenkian e Serralves, explicam

Respondendo às questões em torno da polémica da exposição Robert Mapplethorpe: Pictures, que terá levado à demissão do diretor e curador da exposição João Ribas, o conselho de administração de Serralves lembrava nesta quarta-feira que 116 mil crianças passam anualmente pelo seu museu, justificando assim a sala cuja entrada está interdita a menores de 18 anos que não estejam acompanhados por um adulto. Nela estão presentes as obras de caráter sexual mais explícito desta exposição de Mapplethorpe, um dos grandes nomes da arte no século XX, que incluem práticas sadomasoquistas.

Numa carta dirigida à presidente do conselho de administração Ana Pinho, mais de 400 pessoas criticaram as restrições da exposição. Os seus signatários incluem artistas como Wolfgang Tillmans, Ana Vidigal, Pedro Pinheiro e Tania Bruguera, a historiadora de arte Maria José Goulão, a historiadora e professora universitária Irene Flunser Pimentel, o diretor do CA2M-Centro de Arte Dos de Mayo, de Madrid, Manuel Segade, o curador e antigo diretor dos museus do Chiado e Coleção Berardo, Pedro Lapa.

As crianças e os jovens devem ou não ver todas as obras? Faz sentido interditar o acesso? Como podem os pais ajudar a enquadrar e compreender certas obras? O DN falou com pediatras, psicólogos e responsáveis pelos serviços educativos de museus para saber como podem os pais lidar com situações como esta, em que devem tomar uma decisão pelos seus filhos.

Denise Pollini, por exemplo, responsável pelo do Museu de Serralves, explica como vão ser orientadas as visitas à exposição de Mapplethorpe e como podem os pais abordá-la aos seus filhos, chamando à atenção para a sua obra "como um todo". Susana Gomes da Silva, do Museu Gulbenkian, afirma que os pais "têm de analisar previamente o seu grau de desconforto a lidar com estas situações".

Ver ou não ver, avisar ou não avisar

Mário Cordeiro, pediatra:

"Se a exposição for integrada, total, cronológica, sem qualquer "espinhas", porventura algumas fotografias não serão adequadas a crianças ou jovens adolescentes, porque podem fazê-los confrontar com uma realidade que existe, sim, mas que deverá ser descoberta a seu tempo, com o seu ritmo e as suas oportunidades - para mais, não poderá ser devidamente descodificada e poderá levantar muitas perplexidades - isso justificaria a exposição ser apenas para maiores de certa idade.

Se, por outro lado, como defendo, quisermos que as crianças contactem com uma arte magnífica e que conheçam progressivamente a pessoa de Mapplethorpe e as sinuosidades e complexidades do seu percurso de vida (fascinante, devo dizer, mas sou suspeito porque sou seu admirador e fotógrafo compulsivo porque, como ele, não sei pintar nem esculpir nem compor música), então talvez se justifique a decisão de Serralves e da Fundação do autor, em reservar uma sala com essa "advertência". Creio que o objetivo do artista seria chocar, agitar, ser ousado, transgredir, mas nunca agredir, ser gratuito ou vulgar, designadamente com crianças. Como não se pode nem deve colocar um "pano" sobre algumas, à boa maneira do fundamentalismo, a decisão de as reservar para uma sala era a única opção, mas sem cortar a liberdade de serem vistas por quem deseje."

Nuno Lobo Antunes, neuropediatra:

"Parece-me evidente que há imagens que não devem ser expostas a crianças, porque não estão cognitivamente preparadas para isso. Evidentemente não faz sentido nenhum, também não apreciam seguramente a arte que está por trás porque não têm capacidade cognitiva desenvolvida o suficiente para perceber porque é que aquilo é arte. Provavelmente, o impacto que tem é de choque e é um impacto negativo. Não vejo que sirva qualquer propósito. Há muitos aspetos da arte que exigem uma competência cognitiva para compreender o porquê e interpretar as imagens; muitas crianças não terão idade para o fazer. Acho que é do senso comum."

Ana Santos, psicóloga:

"A questão aqui não é só a imagem, ou não é só porque é ou não um tabu, é se o pai vai saber explicar o que aquela imagem significa, porque é que algumas pessoas retiram prazer daquela maneira, fazem as coisas daquela maneira, se relacionam, demonstram amor, paixão ou prazer daquela maneira: todo o discurso envolvente que provavelmente as famílias têm de ter e podem não conseguir ter.

"É como as imagens no telejornal. A solução é [as crianças] nunca verem telejornais? Não é. Mas com certeza que uma criança de cinco anos pode ver de maneira diferente de uma de 10. Tem de se adequar na quantidade, no estímulo, mas acima de tudo tem de se acompanhar."

João Neto, presidente da Associação Portuguesa de Museus (APOM) e diretor do museu da Farmácia:

"Há um aconselhamento na primeira fase que achamos perfeito. Avisa-se as pessoas que há algo pode chocar. Depois a opção é delas. Deve existir uma forma discreta ou um aconselhamento presencial que a partir daquela linha há uma opção pessoal neste caso ou noutras situações em que a pessoa possa assumir que aquilo que as pessoas vão ver pode chocar."

Faz sentido proibir?

Mário Cordeiro:

Acho que deve prevalecer o bom senso, a visão do que é cada criança e adolescente, e ficar ao critério dos pais, e se fosse tudo certinho, teríamos a certeza de que os pais que levavam as crianças à exposição sabiam claramente que elas poderiam apreciar as fotografias sem que isso as perturbasse - todavia, tenho sérias dúvidas que a esmagadora maioria dos pais, que anda de um lado para o outro à procura de respostas para as suas inquietações e com a maneira de lidar com a sexualidade adolescente, esteja capacitada para saber isso e para decidir. Duvido muito. As crianças também merecem Mapplethorpe, mas de um modo que o autor e a sua extraordinária obra, não as perturbe, até porque não será todos os dias que terão a oportunidade de conhecer um fotógrafo excecional como ele - era isso, certamente, o que ele desejaria.

Não creio, pois, que a opção que Serralves e a própria Fundação [Robert Mapplethorpe] que representa o legado do autor (é bom não esquecer esse "pormenor") seja, assim, um tamanho "atentado à arte", uma censura ou outra coisa no género.Não alinho com essas atitudes histriónicas, nem com "virgens ofendidas a rasgar as vestes". Todavia, há que compreender o que são os cérebros das crianças e dos adolescentes, a necessária gradualidade das suas aquisições e o combater o imediato acesso a tudo, em idades em que não se compreende a mensagem ou o significado dela.

Espero, pela minha parte, ansiosamente, a oportunidade de ir a Serralves ver a exposição. Se levo os meus filhos? Provavelmente sim, mas teria de ter uma conversa com eles antes, se calhar durante, e necessariamente depois.

Susana Gomes da Silva, responsável de educação Museu Calouste Gulbenkian:

"Com a proibição não concordo. Acho que as proibições são atos de alguma violência também. Mas sou de avisar, por uma questão de respeito. Aconteceu-me num museu com o meu filho [onde não havia avisos]. Não pensei, como mãe, que ele reagisse tão mal a alguns vídeos com casos de violência. Isso deixou-o assustadíssimo. O público deve poder escolher, e para isso deve ter toda a informação."

João Neto:

"Dizer que há museus para 18 anos acho que vai contra tudo aquilo que podemos achar ou que andamos a criar há muito tempo do museu enquanto espaço de conhecimento e reflexão para todos. Essa barreira proibitiva não pode acontecer."

Possíveis consequências negativas de obras chocantes numa criança

Mário Cordeiro:

"Muitas, e de variada ordem, dependendo da idade, das experiências, do contexto familiar, dos conhecimentos... mas seguramente pode ser uma forma crua e dura de ter conhecimento de parte da vida que tem a ver com o chamado "amor adulto" ou com a vida adulta, e é extremamente complexo, e não podem ser dadas explicações enquanto se contempla uma fotografia - e as fotografias de Mapplethorpe são para contemplar, com tempo e deleite, mas em silêncio e respeito. Não vamos dar em Serralves uma aula de educação sexual, como as do liceu em que se colocam preservativos em beringelas! Por favor!"

Nuno Lobo Antunes:

"[A experiência] Pode ser traumática. A forma como as pessoas reagem a um acontecimento traumático depende muito de pessoa para pessoa. A questão não é generalizada. Há crianças para as quais uma imagem traumática pode ter consequências psicológicas importantes, de insónia, geradora de ansiedade, medos de frequentar espaços semelhantes."

Qual é a prática nas diferentes instituições?

Denise Pollini, responsável pelo serviço educativo de Serralves:

"Nos dias 7 de outubro e 9 de dezembro estão programadas Visitas Orientadas [à exposição Robert Mapplethorpe: Pictures] destinadas ao público em geral.

No trabalho de mediação, procura-se trabalhar tanto com os conceitos das exposições quanto a perceção que o visitante tem da obra, por este motivo é impossível ter um roteiro fechado dos trabalhos que serão focados em cada visita. Apesar disto podemos adiantar alguns dos temas principais com os quais a equipa está a desenvolver a mediação. PALAVRAS-CHAVE: Biografia de Mapplethorpe. Influências na obra de Mapplethorpe a partir do trabalho de artistas tais como Julian Cameron, David Hill e Robert Adamson, Félix Nadar, Miguel Ângelo, Man Ray. Perfeição, Composição, Beleza clássica, Luz, sombra, forma, Composição e Processo, Forma e Conteúdo, Identidade, Persona, Dualidade, Máquinas, Papel e Provas de contacto, Sexo, Sexualidade, Religião, Homossexualidade.

Também se apresentam algumas frases do próprio artista a refletir sobre o seu trabalho, de forma a dar voz ao seu processo de trabalho. Colocamos abaixo algumas frases como exemplo: "Tudo o que pretendo é transcender o sujeito, ir além dele, de alguma forma, de modo que a composição, a iluminação e tudo em torno alcancem um determinado ponto de perfeição"; "A minha intenção não é fazer uma declaração. Fui para a fotografia porque me pareceu o veículo perfeito para comentar a loucura da existência atual. Tento registar o momento em que vivo e o lugar onde vivo, que neste caso é Nova Iorque. Tento pegar nessa loucura e impor-lhe alguma ordem"; "O meu trabalho é sobre ordem. Sou um perfeccionista".

Susana Gomes da Silva:

"O que temos feito aqui [no Museu Gulbenkian] é avisar. É deixado à consideração do visitante adulto a decisão se quer entrar naquela sala com um menor. É melhor, a meu ver, do que deixar a coisa não dita. Muitas vezes [se não houver aviso] estamos a violar a liberdade também.

"Tivemos aqui uma exposição do José Escada que tinha uma vitrina com pornografia, com algumas imagens que o José Escada usou na obra dele. Optou-se por não por nenhum aviso. Toda as pessoas que estavam na exposição, e nós do serviço educativo, sabíamos que se víssemos famílias ou uma atividade organizada avisávamos que havia ali uma vitrina que podia ter conteúdos que pudessem ser chocantes para algumas pessoas."

Estagiei no New Museum of Contemporary Art e tínhamos uma exposição [do artista americano Paul McCarthy] terrivelmente violenta do ponto de vista sexual. Era uma exposição que se sabia que ia ser muito, muito controversa. Mas havia uma programação para escolas. E havia um aviso à entrada: Conteúdos sexualmente explícitos. Deixava-se ao critério do visitante. Não era aconselhado para menores de 18 anos. Para as escolas criámos materiais como se eles viessem, explicando aos professores: ela pode ser problemática mas se quiser vir, temos esta possibilidade de abordagem e aquela. E a verdade é que tivemos visitantes e aqueles que tínhamos vinham muitíssimo informados. Foi muito interessante o que aconteceu a seguir."

Rita Lougares, diretora artística do Museu Berardo:

"Nunca proibimos nada. Na exposição do Pedro Cabrita Reis havia uns desenhos que podiam ser chocantes. Havia um aviso, que [prevenia que] aquelas imagens poderiam não ser apropriadas para menores. É sempre um aviso, nunca é uma proibição.

Na exposição do Pieter Hugo [Pieter Hugo. Between the Devil and the Deep Blue Sea, ainda patente, e onde há uma sala com imagens do genocídio do Ruanda com um aviso à entrada] continuam as visitas de colégios. Mas tem de haver uma explicação para crianças. Para elas não ficarem chocadas: veem esqueletos e cadáveres. Uma criança tem de ser contextualizada, na nossa opinião."

Fonte do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT):

"Nestes dois anos de programação do MAAT, não tivemos nenhuma exposição cuja temática central pudesse, na nossa perspetiva, ser considerado chocante. Ainda assim, quando exibimos alguma obra que, no nosso juízo, possa ferir suscetibilidades, a regra instituída no MAAT é a de colocar um aviso ao público. Adicionalmente, os guias do museu estão instruídos para referir estas situações."

Conselhos aos pais

Mário Cordeiro:

"Obviamente que pode argumentar-se que, com um click, as crianças podem ver tudo na internet... mas outra coisa será os pais explicitamente levarem-nas a ver certas cenas que elas não podem, porque não têm maturidade para isso, compreender, como sadomasoquismo ou outra coisa qualquer no género - pode ser, até, altamente pernicioso para o desenvolvimento da sua sexualidade - porque esta deve começar em torno dos afetos, do amor e da relação, para depois se entenderem outras coisas, como fetichismos, parafilias, sadomasoquismo ou outra coisa qualquer. Antigamente também se ia ao cinema "espreitar" filmes porno, com os amigos, e era muito saudável, mas não passava pela cabeça de ninguém ir vê-los com os pais e fomentado pelo mundo dos adultos!"

Susana Gomes da Silva:

Eu diria que os pais têm de analisar previamente o seu grau de desconforto a lidar com estas situações. Isto não é nenhuma leitura moral. Cada pessoa tem a sensibilidade e as suas premissas e critérios e pode não estar disposta a ter de falar com uma criança de seis anos - e está perfeitamente no seu direito - de assuntos que não são ainda para a idade dela.

Para os pais que acham que há assuntos que devem ser discutidos com os filhos eu diria que o contexto é sempre útil. Os miúdos fazem-nos perguntas desconfortáveis, mas menos do que aquelas que fazemos a nós próprios na maioria das vezes. Se deixarmos que sejam eles a liderar a conversa, normalmente o assunto resolve-se num instantinho. Quando fazemos introduções, porque achamos que vão ficar chocados, estamos quase sempre a impor uma mentalidade de adulto, que muitas vezes não é sequer a zona de inquietude da criança.

Conselhos aos pais: desdramatizar, reconhecer que podemos ter desconfortos nalgumas questões, e que isso não nos obriga a termos que ir lá. Ninguém tem que, mas se estou disposto, deixar que sejam os miúdos a dirigir as perguntas."

Denise Pollini:

"O trabalho de Robert Mapplethorpe apresenta inúmeros aspetos, não apenas àqueles ligados ao universo da sexualidade. Aconselharíamos a observação como um todo, dos seguintes elementos, de entre muitos: composição, enquadramento, luz, sombra, a influência da beleza clássica e o conceito de beleza que pode ser observado tanto nos corpos, nos retratos quanto nas flores. No que diz respeito às áreas referidas, acreditamos que a obra de Robert Mapplethorpe, assim como o trabalho de inúmeros outros artistas, discute e amplia as dimensões da arte e do conceito de beleza e isso obviamente inclui a sexualidade e o corpo."

O que diz a lei?

De acordo com a Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC), "as exposições de arte não carecem de classificação etária".

Segundo a legislação existente, como recorda a IGAC, esta classificação está direcionada apenas para "espetáculos de natureza artística", como "representações ou atuações nas áreas do teatro, da música, da dança, do circo, da tauromaquia e de cruzamento artístico", assim como "outras récitas, declamações ou interpretações de natureza análoga", a par da "exibição pública de obras cinematográficas e audiovisuais".

De acordo com n.º 7 do art.º 8º do Decreto-lei n.º 23/2014, de 14 de fevereiro, nesses casos "A idade dos menores é atestada pela apresentação de documento comprovativo da idade invocada ou suprida pela responsabilização dos pais ou de adulto identificado que os acompanhe".

"A classificação etária consiste em aconselhar a idade a partir da qual se considera que o conteúdo não é suscetível de provocar dano prejudicial ao desenvolvimento psíquico ou de influir negativamente na formação da personalidade dos menores em causa, não se substituindo porém ao poder parental ou a outro tipo de responsabilização legalmente permitida."

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