Demi Lovato: uma vida "simplesmente complicada"

Aos 25 anos, a cantora sofreu uma "overdose" e encontra-se internada. Em entrevistas e em canções, sempre falou abertamente dos distúrbios alimentares, do consumo de álcool e drogas.

"Estou um pouco ansiosa com esta entrevista. A última vez que fiz uma entrevista tão longa assim estava sob o efeito de cocaína." Demi Lovato está sentada num sofá de pele. Usa uma camisa branca e uns jeans azuis. E, se dúvidas houvesse, a primeira frase que diz nesta entrevista, deixa bem claro que a cantora e atriz está disposta a falar abertamente de todos os seus problemas. Os do passado e os do presente.

E é assim que começa o documentário Demi Lovato: Simply Complicated , lançado pelo YouTube em outubro do ano passado. Com Demi Lovato, uma rapariga de 25 anos, a explicar como, na última década aprendeu muitas lições. Por exemplo, que o sexo é natural. Que o amor é essencial. E que a solidão é brutal. E ainda estava a aprender a ser abusada e não ser uma vítima. Mas é complicado, admitia.

Nove meses depois desse filme ser tornado público, Demi Lovato foi encontrada inconsciente e está neste momento num hospital de Los Angeles. Embora a informação não tenha sido confirmada oficialmente, suspeita-se que tenha sofrido uma overdose.

Dos concursos de beleza a teen idol da Disney

Esta é uma história que infelizmente já vimos muitas vezes. A carreira de Demi Lovato no mundo do espetáculo começou muito cedo. Aos cinco anos já entrava em concursos de beleza e foi aí que começou a cantar. Sonhava em ser como a Shirley Temple. O primeiro trabalho a sério que conseguiu foi na série infantil Barney and Friends, quando tinha 10 anos. Na adolescência, Demi Lovato sofreu de distúrbios alimentares, foi alvo de bullying na escola e sentia-se posta de parte. Nessa altura, era obcecada com a ideia de perfeição e queria ser como Amy Winehouse, magra como ela, ter a voz dela. Foi assim que começou a beber e a experimentar as primeiras drogas leves. Para fazer parte do grupo de miúdos populares do liceu, conta. O pai tinha tido problemas com álcool e drogas e ela sabia disso. Lembra-se de ver o pai a gritar e a atirar coisas em casa, antes de os pais se divorciarem.

Depois entrou em As the Bell Rings e outras séries juvenis. Mas foi com Camp Rock e a ligação aos Jonas Brothers que a vida de Demi Lovato mudou e ela se tornou uma das estrelas da Disney. De um momento para o outro, Demi estava a fazer filmes, andava em digressão e escrevia canções. "Aconteceu tudo muito depressa", lembra. Os seus dois primeiros álbuns, Don't Forget (2008) e Here We Go Again (2009) chegaram ao Top3 nos Estados Unidos.

Para além da pressão para ter sucesso, a pressão para ser "um exemplo" para a juventude também era grande, mas na verdade ela era apenas uma rapariga como as outras. Era como se tivesse duas vidas: no ecrã e fora dele. Nessa altura, para controlar a ansiedade, começou a tomar Adderall, que é um medicamento usado para a hiperatividade e outras perturbações nervosas.

Tinha 17 anos e já trabalhava no Disney Channel quando experimentou cocaína pela primeira vez. "Adorei", conta a cantora no documentário. "Senti-me fora de controlo." Aos 18 anos, após um break down, interrompeu a digressão que estava a fazer com os Jonas Brothers e fez o seu primeiro tratamento e nessa altura foi diagnosticada como bipolar. Mas, depois, continuou a tomar comprimidos e a usar cocaína, bebia álcool, mentia a quem fosse preciso para continuar com a sua vida sem intromissões e não estava muito preocupada com a carreira. "Não tenho orgulho na pessoa que era nessa altura", admitiu na entrevista.

"Mantém-te forte"

Foi necessária uma intervenção dos amigos, da família e de toda a sua equipa para que a cantora aceitasse entrar num verdadeiro programa de desintoxicação. Unbroken, a canção que lançou em 2011, tinha sido gravada antes. Demi optou por não a regravar, usando a gravação feita quando estava completamente despedaçada e ainda assim cantando "unbroken".

No momento em que filmou o documentário, Demi estava sóbria há seis anos, segundo o que ela diz. Admite que por vezes tem sido difícil mas estava orgulhosa de sim mesma. O único desafio continuava a ser a bulimia, pois nunca conseguiu ter total controlo sobre o seu corpo.

A segunda parte do documentário é dedicada a esta nova fase da vida e da carreira de Demi Lovato, com momentos da gravação de alguns dos seus maiores êxitos. Também fala da paixão por Wilmer Valderrama, com quem manteve uma relação durante seis anos, e de como é difícil ter a sua vida amorosa sempre escrutinada pelo olhar da imprensa e do público.

Em maio passado, apareceu em Solo, um novo tema de Clean Bandit. Todos acreditavam que a sua vida estava a correr bem até junho, quando lançou o tema Sober, na qual admitia que já não estava sóbria:"Momma, I'm so sorry, I'm not sober any more/And daddy, please forgive me for the drinks spilled on the floor/To the ones who never left me/We've been down this road before/I'm so sorry, I'm not sober any more." Estava tudo naquela canção, para quem quisesse ver. "I"m sorry that I"m here again, I promise I"ll get help, canta Demi Lovato, pedindo desculpa. "It wasn"t my intention, I"m sorry to myself."

"Sou uma lutadora", canta ela em Warrior (2014). Demi Lovato tem "stay" tatuado num pulso e "strong" no outro - Stay Strong é o documentário da MTV com 42 minutos que lançou em 2012 e no qual já falava dessa luta por ficar sóbria. Essa tem sido a sua luta nos últimos meses (nos últimos anos): manter-se forte.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG