Na lista de premiados em Cannes, os últimos dois anos foram especialmente positivos para a produção portuguesa. Assim, há dois anos, Miguel Gomes arrebatou o prémio de realização com a longa-metragem Grand Tour; em 2025, O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, valeu a Cleo Diára a distinção de melhor atriz na secção “Un Certain Regard”. Este ano, os criadores portugueses voltam a marcar presença na Côte d’Azur, com títulos distribuídos por quatro zonas da programação.Entre a lista de candidatos à Palma de Ouro das curtas-metragens, Cannes dará a conhecer Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio, o mais recente trabalho de Daniel Soares. É a segunda vez que o realizador participa nesta competição, tendo obtido uma menção especial com Mau por um Momento, no festival de 2024.Também na seleção oficial, extracompetição, na secção Cannes Première, será revelada a nova longa-metragem de Tiago Guedes, Aquí, uma adaptação da “Trilogia de Jesus” (A Infância de Jesus, Jesus na Escola e A Morte de Jesus), de J. M. Coetzee. Rodado em Espanha e Portugal, falado em castelhano, o filme inclui no seu elenco Manolo Solo, Patricia López Arnaiz, Álex Peláez, Sergi López e Lambert Wilson.Portugal surge também de novo noutra secção competitiva, La Cinef, com a curta-metragem Onde Nascem os Pirilampos, de Clara Vieira, da Escola Superior de Teatro e Cinema. Patrocinado pela Cinéfondation, este é um espaço criado em 1998 com o objetivo de apoiar os novos realizadores, em particular vindos das escolas de cinema de todo o mundo.Entretanto, a mais recente zona de programação de Cannes, a chamada Competição Imersiva, conta também com uma presença portuguesa - intitula-se Lúcido e tem assinatura de Vier, artista multidisciplinar que, além da animação, trabalha também no domínio dos novos meios imersivos. Trata-se da terceira edição desta secção, concebida para as novas experiências audiovisuais, da projeção de video em grande escala até à realidade virtual.