Cravo Taskin: instrumento, obra de arte e tesouro nacional vai ser tocado esta terça-feira

O cravo Taskin, tesouro nacional, é tocado esta terça-feira, dia da música, pelo cravista norueguês Keil Haugsand.

Nem instrumento musical, nem obra de arte, mas tesouro nacional. O cravo Taskin, um exemplar de 1782, é tocada esta terça-feira, às 18:00 pelo cravista norueguês Ketil Haugsand assinalando o Dia da Música no museu que lhe é dedicado. A entrada é livre.

Restaurado há pouco tempo, o cravo apelidado de Taskin, em referência ao seu autor, Pascal-Joseph Taskin, está classficado como Tesouro Nacional, foi recentemente restaurado, "num processo que seria devidamente reconhecido, ao vencer um prémio APOM 2019 na categoria Conservação e Restauro", como explicou o Museu da Músico.

Pascal-Jospeh Taskin, belga, construiu o cravo na oficina da família Blanchet, muito prestigiada na construção destes instrumentos em 1782, ano de produção deste exemplar com teclas naturais em madeira, capas de ébano e osso, num estilo neo-clássico.

Taskin fez nome como construtor de cravos. Sabe-se, sobre ele, que "fez parte da Corporação de Construtores e trabalhava para a Casa Real e para o Rei Luís XVI de França", diz o Museu da Música. Após a revolução francesa manteve o negócio próspero, imune a convulsões sociais. Trabalhou com construtor de cravos e pianofortes até à sua morte em 1793.

Os cravos que saíram das mãos de Pascal-Joseph Taskin são raros. A juntar à Revolução Francesa, em que muitos instrumentos que pertenciam à nobreza foram destruídos, a quase-extinção destes cravos deve-se ao aparecimento do piano.

Restam hoje apenas 8 exemplares de cravos Taskin, espalhados pelo mundo e em coleções particulares.

O cravo que se encontra no Museu da Música tem elevado "valor histórico, estético, técnico e material, por ter sido um exemplar construído a pedido do rei francês para o oferecer à sua irmã Marie Clotilde", segundo uma nota do Museu da Música. "É considerado um dos melhores exemplos do trabalho requintado deste grande construtor".

Destacam-se a rosácea de Andreas Ruckers, o tampo harmónico decorado com motivos florais e datado de 1636 e a inscrição "Andre Rukuers Anee 1636" no frontal, remetem partes do instrumento para uma autoria anterior, procedimento habitual na oficina de Pascal Taskin, dado que Andreas Ruckers havia sido um dos maiores construtores de cravos do séc. XVII.

Depois do rei de França e da sua irmã, Maria Clotilde, o cravo foi parar às mãos do rei Umberto II de Itália. Foi-lhe oferecido pela cidade de Turim no seu casamento. Chegou a Portugal quando o rei ofereceu o instrumento à Marquesa de Cadaval.

Keil Haugsand, o cravista que o vai tocar, e o programa

Professor emérito de cravo na Hochschule für Musik em Colónia, Keil Hausgand toca hoje este cravo histórico.

O programa do concerto de hoje:

LOUIS MARCHAND (1669-1732) - Suite ré mineur - du 1ére livre (1702)
- Prèlude
- Allemande
- 1ére Courante
- 2e Courante
- Sarabande
- Gigue
- Chaconne

JEAN-PHILIPPE RAMEAU (1683-1764) - Pieces de Clavecin
- La Joyeuse
- L"Entretien des Muses
- Les Tourbillons
- Les Triolets
- La Dauphine

- Pausa -

ANTOINE FORQUERAY (1671-1745) - Pieces de Viole mises en Pieces de Clavecin
- La Bouron, Vivement & détaché
- Sarabande, La D'aubonne
- La Leclair, tres Vivement & détaché

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750) - Sonate G-Dur - Gustav Leonhardt, transcription
Adagio (BWV 968)
Fuga (BWV 1005)
Largo
Allegro Assai

Concerto Um Músico, Um Mecenas
Museu da Música
1 de Outubro de 2019, 18:00

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