Concha Buika: "Vejo-me um soldado da música"

A cantora espanhola está de regresso a Portugal para dois concertos nos quais surgirá acompanhada de uma banda composta apenas por mulheres e irá apresentar alguns dos temas do novo disco, a editar ainda este ano.

Filha de exilados políticos da Guiné-Equatorial, Buika nasceu há 47 anos, em Palma de Maiorca, e deu-se a conhecer em 2005, com um disco homónimo que foi o primeiro de uma trilogia dedicada ao flamenco. Seguiram-se Mi Niña Lola (2006) e Niña de Fuego (2008), que a afirmaram como uma das figuras de proa da nova geração que renovou estilo musical. Aos poucos, foi no entanto introduzindo outras latitudes na sua música, em discos como El Último Trago (2010), que lhe valeu um Grammy, En Mi Piel (2011) ou La Noche Mas Larga (2013), numa constante evolução que atingiu os píncaros nos mais recentes Vivir Sin Miedo e Para Mí. Em tempos apelidada de "voz da liberdade", Buika canta em espanhol, francês, inglês, português ou até farsi e arménio com a mesma naturalidade com que vagueia pelo jazz, funk, reggae ou soul. Afinal, "tudo é apenas música", como afirma nesta entrevista ao DN, neste regresso a Portugal para dois concertos nos coliseus de Lisboa e do Porto, onde atua esta sexta e sábado.

É conhecida não pela mistura de estilos da sua música, mas também por cantar em diversas línguas. Como é decide isso, quando está compor?

Não é muito complicado, porque na realidade canto sempre aquilo que me passa pela cabeça, sem qualquer tipo de filtro. Todos os estilos musicais são bonitos e apenas servem para expressarmos o que sentimos. Na verdade, os estilos musicais são apenas uma desculpa. Quanto a cantar em diversos idiomas é apenas algo que tem a ver comigo. Sou uma pessoa que quer estar sempre em todo o lado, o que faz de mim espanhola, portuguesa, chinesa ou brasileira, consoante o local onde esteja. E, nesse sentido, falar outras línguas é um modo de me sentir mais livre. Por outro lado é também algo que faz parte do meu trabalho. Costumo dizer que sou um soldado da música e se me ordenam ir cantar ao Japão, o mínimo que posso fazer é aprender algumas palavras em japonês, nem que seja para cantar apenas uma frase.

Colaborou recentemente com Carlos Santana, no projeto Africa Speaks, como foi essa experiência?

Foi muito gratificante, porque o Carlos Santana é uma pessoa muito boa, além de um grande artista. Aliás, não é possível ser-se um grande artista se não se for uma grande pessoa. Foi um período muito bom, porque não só participei no disco, como também escrevi algumas das letras e algumas das melodias, o que tornou tudo muito mais especial.

O novo disco está para sair em breve, como já foi anunciado?

Bem, mais ou menos, deverá sair ainda este ano, mas ainda estou a trabalhar nele. A partir de uma certa idade deixamos de ter pressa para certas coisas. Hoje prefiro trabalhar com calma e tranquilidade e só editar um disco quando tudo estiver mesmo como eu quero. Digamos que estou a trabalhar ao meu ritmo (risos).

E já pode revelar o que vai ser?

Isso ainda é um mistério até para mim, mas posso dizer que vai ter algumas letras em português. Acima de tudo vai ser um álbum muito sincero. Este trabalho ainda é em parte o resultado de um retiro criativo que fiz há alguns anos, no meu estúdio. Estava recém-separada e o meu filho foi viver um ano com o pai, que é uma pessoa maravilhosa, e dei por mim sozinha em casa, sem as minhas rotinas habituais. Acabei por aproveitar esse tempo para criar música. Foi um período muito intenso, mas ao meso tempo muito recompensador, tanto a nível pessoal como artístico. Passava dias fachada no estúdio, sem dormir, comer ou sequer tomar banho, só a criar. E este novo disco mistura ainda alguns temas escritos nesse período com outros, mais recentes.

Algumas dessas novas músicas já vão ser apresentadas nestes concertos em Portugal?

Vou apresentar algumas sim, apesar do público ainda não as conhecer. É algo que gosto de fazer, surpreender o público com temas novos, muito embora a maior parte das pessoas apenas queira ouvir as canções mais antigas, o que é normal. Mas a partir dos 40 fiquei muito mais rock and roll e agora só faço o que me apetece, mesmo em palco (risos).

Vai-se apresentar acompanhada de uma banda apenas composta por mulheres, fá-lo por alguma razão especial?

Não é só a banda, porque neste caso até a técnica de som é mulher. Não, faço-o apenas porque todas elas trabalham muito bem e são um grupo muito forte, composto por pessoas muito boas, como eu gosto.

Concha Buika
Coliseu dos Recreios, Lisboa.
31 de maio, sexta-feira 21h30.
Bilhetes: €30 a €80

Coliseu do Porto.
1 de junho, sábado 21h30.
Bilhetes: €30 a €45

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