O concerto de Cindy Lauper nesta noite do Rock in Rio Lisboa foi mais do que uma atuação para relembrar os clássicos dos anos 1980: foi um lembrete de como gerações de mulheres lutaram, de diversas maneiras, pelos direitos que hoje temos. A artista norte-americana de 73 anos subiu ao Palco Mundo com a mesma imagem que inspira mulheres há décadas: batom vermelho, cabelo azul, um penteado marcante e atitude de rockstar.She Bop foi a primeira música, seguida de uma tentativa bem-humorada de falar português. Em clima de Mundial, a cantora mostrou também uma camisola de Ronaldo e disse "Viva Ronaldo, I like". O alinhamento incluiu temas como When You Were Mine, I Drove All Night e Change of Heart, até chegar a um dos momentos mais especiais da noite.Cindy pediu ao público que ligasse as luzes dos telemóveis durante o clássico Time After Time. O Parque Tejo transformou-se num coro único, iluminado pela luz do fim de tarde e por uma lua cheia ao fundo. "Agora olhem à vossa volta. Sabem o que parecemos? Uma comunidade de luz. Nunca se esqueçam disso, não interessa quão estranho o mundo fique", disse.Outra música que arrancou lágrimas da plateia foi True Colors, lançada em 1986 e que se tornou um símbolo da comunidade LGBT+. As imagens projetadas no palco exibiram a bandeira arco-íris com as cores do movimento.Além de Cindy, a banda que a acompanha também merece destaque e demonstra que a filosofia feminista é levada a sério: a maioria das integrantes são mulheres, dos sintetizadores à bateria, algo ainda incomum em bandas de rock. A baterista argentina Giulliana Merello, grávida de seis meses, arrancou aplausos do público.O momento mais esperado, claro, foi o hino feminista Girls Just Want to Have Fun. A música encerrou o concerto da artista e foi cantada do início ao fim pela plateia. Cindy aproveitou a palavra "fun" para falar de fundamental rights (direitos fundamentais), lembrando que esses direitos nem sempre estão garantidos e que é preciso lutar para os manter. Girls Just Want to Have Fun foi também um momento para ver diferentes gerações de mulheres a cantar e a dançar juntas, lembrando que, sim, queremos e merecemos divertir-nos.. amanda.lima@dn.pt .Linkin Park no Rock in Rio: um regresso entre a nostalgia e a renovação com Emily Armstrong."24% portuguesa". Katy Perry volta a atuar em Portugal e não desilude no Rock in Rio