Bloop. Nesta festa de música eletrónica ninguém pode mexer nos telemóveis

Editora lisboeta de música eletrónica não irá permitir o uso de smartphones na sua próxima festa, que acontece a 28 de setembro, no Beato, em Lisboa. A ideia é que o público se concentre apenas na música.

Quem quiser ir à próxima festa da Bloop Recordings, em Lisboa, pode esquecer as fotografias, vídeos, mensagens ou espreitadelas no perfil do Instagram durante o evento. Se o quiser fazer, será obrigado a deslocar-se ao exterior. Para que as pessoas se foquem no que é realmente importante - a música -, a editora discográfica lisboeta decidiu organizar a sua primeira festa sem telemóveis. A matiné de música eletrónica, marcada para 28 de setembro, acontece num pátio em ruínas, no Beato, em Lisboa.

O sistema é bastante simples: à entrada da festa, cada pessoa recebe uma bolsa para colocar o telemóvel, que ficará na sua posse até ao final. Este permanecerá trancado dentro da bolsa, que só se desbloqueia quando passa por uma máquina, instalada na saída. Um sistema que funciona como os alarmes magnéticos usados nas lojas de roupa.

"Queremos que a festa seja livre de telemóveis, com todas as vantagens que isso tem, nomeadamente as pessoas poderem focar-se na música. Acreditamos que isso vai fazer uma grande diferença em termos de ambiente", explica ao DN Gil Correia, sócio da Bloop Recordings, destacando que "será permitido que as pessoas vão ao exterior fazer chamadas ou o que for necessário", mas, na pista, não haverá telemóveis. Nem sequer os da organização. "Vamos ter reportagem fotográfica. Vão existir recordações na mesma", sublinha.

Criada há 13 anos, a editora discográfica tem vindo a promover festas, maioritariamente à tarde, em sítios improváveis, mostrando que é possível dançar em qualquer lado, como barcos, hotéis, terraços e até dentro de piscinas vazias. Quer que o público tenha experiências diferentes, e é nesse sentido que decidiu criar uma festa livre de smartphones. "Já sentimos que as pessoas vão muito para dançar. Faz parte do ADN do nosso público. Mas quisemos voltar atrás, a uma altura em que não havia telemóveis", explica o responsável.

Nos dias que correm, diz Gil Correia, "muitas pessoas estão mais preocupadas em mostrar que estão nas festas do que em estar realmente nas festas". Por isso, prossegue, a Bloop acredita que haverá "uma diferença gigante em termos de experimentação, de vivência. As pessoas vão estar mais imersas no próprio espetáculo".

Muitas pessoas estão mais preocupadas em mostrar que estão nas festas do que em estar realmente nas festas.

Artistas como Jack White e Guns N'Roses têm vindo a adotar o mesmo sistema escolhido pela Bloop - as bolsas Yondr - para os seus concertos. "É um erro pensar que podes experienciar alguma coisa e documentá-la ao mesmo tempo, independentemente do que a Google e a Apple dizem. Quando usas o telefone para gravar alguma coisa ou enviar mensagens de texto, não estás realmente lá. A tua mente está noutro lugar", disse Graham Dugoni, fundador da empresa, ao The Guardian.

Até ao momento, as reações ao novo conceito da Bloop têm sido "bastante positivas". "Talvez a maioria das pessoas concorde que há um excesso de utilização de telemóveis neste tipo de eventos", diz Gil Correia.

A festa livre de smartphones, que acontece nas ruínas de uma antiga fábrica de cortiça, começa às 15.00 e prolonga-se até às 23.00, contando com as atuações de Molly, Gromma, Cruz e Pandilla Ltd.

O convite está lançado: "Imagina que só existes tu, os teus amigos e a música. Nesse espaço, durante umas horas, és completamente livre. Os teus problemas ficam desconectados, à espera que voltes a uma realidade que, por uma tarde inteira, não é a tua".

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