Até cinema para bebés há no IndieJúnior

O Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil do Porto regressa amanhã ao Teatro Rivoli e à Biblioteca Municipal Almeida Garrett. A novidade deste ano é o cinema para bebés.

Vai na 3ª edição e já começa a crescer a olhos vistos. O IndieJúnior Allianz não só traz ao Porto propostas recentes de cinema para crianças e jovens, como regressa aos filmes clássicos que construíram o imaginário dos seus pais e avós. É desta geografia de memórias e novas experiências que se faz uma programação bastante diversa - a incluir atividades paralelas como exposições, oficinas e debates - que, para além de ter lugar no Teatro Rivoli e na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, se estende este ano aos espaços da Casa das Artes e da Reitoria da Universidade do Porto, até 3 de fevereiro.

Assim, entre as sessões da competição de curtas-metragens para diferentes faixas etárias, apresentam-se igualmente quatro longas - três documentários e uma animação - com olhares diversos e sugestivos. Desde logo, No Meu Quarto, de Ayelet Albenda, documentário que acompanha os vídeos diarísticos (de YouTube) de seis adolescentes ao longo de alguns anos, é um interessantíssimo objeto que permite abrir literalmente uma janela para a intimidade de quem partilha as suas questões de identidade, género, e mesmo a angústia de uma gravidez ou um distúrbio alimentar. Aqui está um filme de grande foco e potencial pedagógico, que serve de argumento para um debate (no dia 31) sobre o lugar das redes sociais na vivência quotidiana dos mais jovens.

Numa abordagem mais simples (mas não simplista), há também o olhar detalhado sobre um verão num parque natural francês - A Ilha do Tesouro, de Guillaume Brac -, a explorar a aventura da infância em dias soalheiros, num território sociologicamente fascinante, e um retrato em três andamentos da Escola de Dança do Conservatório Nacional - Infância, Adolescência e Juventude -, por Rúben Gonçalves. Destaque ainda para a animação japonesa Mary e a Flor de Feiticeira, de Hiromasa Yonebayashi, antigo colaborador do mestre Hayao Miyazaki nos estúdios Ghibli, que depois do maravilhoso Memórias de Marnie parece regressar à temática de Kiki - A Aprendiz de Feiticeira (1989) para contar a história, baseada num livro infantil de Mary Stewart, de uma menina com uma vassoura, um gato preto e poderes mágicos.

Uma das grandes novidades desta edição do IndieJúnior Allianz são as sessões de "cinema de colo", que decorrem no fim-de-semana de encerramento do festival e proporcionam aos bebés e suas famílias momentos singulares. Trata-se de projeções com uma duração máxima de 25 minutos, em que é mostrado um conjunto de filmes curtos num ambiente acolhedor e envolvente. Ou seja, um espaço em que se proporciona uma primeira experiência de sala de cinema, através da descoberta criativa do grande ecrã, com toda uma cenografia pensada para despertar os sentidos dos bebés.

Já na secção O Meu Primeiro Filme, o festival propõe a revisitação de clássicos que marcaram a educação cinéfila de alguns convidados. Uma oportunidade então para (re)ver Os Salteadores da Arca Perdida (1981), o primeiro título da saga Indiana Jones de Steven Spielberg; a obra-prima de Charles Chaplin Tempos Modernos (1936), centrado nas peripécias do protagonista, que começam na sua complicada relação com as máquinas de uma fábrica (esse símbolo máximo da era industrial); e, mesmo no último dia da programação, A História Interminável (1984), de Wolfgang Petersen, um dos mais populares filmes do imaginário infantil da década de 1980 - adaptado do romance homónimo do alemão Michael Ende - que nos transporta com o pequeno Bastian para a terra da Fantasia, repleta de criaturas fantásticas, onde a linha que separa o real do imaginário deixa de existir... Afinal, não é esta uma das primeiras sensações que o cinema nos dá?

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