O americano Adam J. Graves formou-se em Estudos Religiosos pela Universidade da Pensilvânia, em 2007 - a sua tese de doutoramento intitulava-se “Antes do Texto: Fenomenologia e Revelação”. O seu trabalho como filósofo e investigador levou-o a publicar trabalhos sobre Kant, Heidegger e Freud, dando aulas atualmente na Metropolitan State University de Denver, Colorado. Entretanto, estreou-se na realização cinematográfica com Anuja, um filme de 22 minutos que lhe valeu, para já, uma nomeação para o Óscar de melhor curta-metragem de imagem real. Disponível na Netflix, Anuja é, para muitos analistas de Hollywood, o título favorito à respetiva estatueta dourada.Num texto de apresentação de Anuja, disponível no site oficial do filme [anujathefilm.com], Graves recorda que tudo começou no facto de, um dia, a sua mulher e coprodutora, Suchitra Mattai (artista multidisciplinar nascida na Guiana) lhe ter chamado a atenção para as múltiplas formas de exploração da infância e da adolescência. Em particular através de uma contundente estatística planetária: neste nosso século XXI, uma em cada dez crianças com menos de 15 anos é sujeita a trabalho infantil.Com um passado de estudo e investigação ligado a vários países do sul da Ásia, Graves começou a desenvolver um argumento que viria a ser a base da sua curta. A saber: um retrato de uma menina de 9 anos, de nome Anuja (Sadja Pathan), que trabalha numa fábrica de roupas de Delhi, na Índia; apesar do seu escasso poder de intervenção, a assistência social identifica o seu caso e Anuja é confrontada com uma alternativa inevitavelmente dramática: fazer o exame para o qual a escola a convoca e, desse modo, perder a fonte de rendimento que partilha com a irmã Palak (Ananya Shanbhag)...Anuja acabou por se concretizar graças ao apoio de várias organizações não governamentais, sem fins lucrativos, incluindo o Salaam Balak Trust, que fornece apoio a crianças que vivem nas ruas da região de Delhi. Algumas figuras públicas, incluindo Priyanka Chopra Jonas, uma das grandes estrelas do cinema indiano, contribuíram também, na qualidade de produtores executivos, para a montagem do projeto. Sem redundâncias dramáticas ou moralistas, Graves consegue combinar a observação de um quotidiano de muitas limitações materiais com uma dimensão de fábula que, em qualquer caso, nasce da respiração realista dos rostos, lugares e objetos. Daí a energia temática e emocional dos resultados: Anuja é um retrato de uma conjuntura muito particular e, ao mesmo tempo, uma história de apelo universal..'A Rapariga da Agulha'. Para lá das convenções do cinema de terror.'A Única Rapariga na Orquestra'. A solidão do contrabaixo no seio da orquestra