Ana Paula Laborinho: ”Usa o maravilhoso como crítica“.Lituma nos Andes é o livro favorito de Ana Paula Laborinho, diretora da Organização de Estados Ibero-americanos em Portugal, devido às suas descrições e questões políticas. “É um pouco a história dos guerrilheiros do Sendero Luminoso e como vivem sendo reféns desta organização”, explica em conversa com o DN. Um aspeto que Ana Paula Laborinho destaca da literatura de Mario Vargas Llosa é a forma como misturava o real com o fantástico. “Ele usa o maravilhoso como forma crítica”, disse, acrescentando que é um dos grandes escritores da América Latina. “Soube inovar e soube, de facto, chegar aos leitores”. A diretora da Organização de Estados Ibero-americanos em Portugal destaca ainda as primeiras obras do escritor como A Cidade e os Cães e a A Guerra do Fim do Mundo que lhe permitiram conhecer a situação do Peru. Ana Paula Laborinho conta ainda que quis ler Vargas Llosa, antes da sua viagem ao Peru. “Sempre tive como hábito, quando ia visitar um país, ler os autores desse local”. E relembrou que as obras de Mario Vargas Llosa chegaram a Portugal apenas nos anos 70. “Acabam por ter uma relação muito direta com a revolução em Portugal e com uma abertura que vai permitir a chegada de certos livros”, disse, acrescentando que a crítica destas obras “é muito importante para compreender até os próprios tempos vividos em Portugal. As realidades são naturalmente muito diferentes, mas há um fundo de luta contra a repressão”. .Manuela Júdice: “Critica a ditadura mas é história de amor e amizade”.Questionada sobre qual o seu livro favorito de Mario Vargas Llosa, Manuela Júdice escolhe Conversa n’A Catedral, devido às críticas à ditadura vivida no Peru nos anos 60. “Critica a ditadura mas ao mesmo tempo é história de amor e amizade. Reúne tantos elementos que eu acho que é um livro muito completo”, diz a secretária geral da Casa da América Latina em conversa com o DN, destacando as descrições das memórias de Santiago, um dos personagens principais. Conversa n’A Catedral conta as memórias de Santiago Zavalita, jornalista, e do seu amigo Ambrosio durante a ditadura no Peru. Há muitos anos, Manuela Júdice leu Conversa n’A Catedral porque estava na biblioteca dos pais. E em 2014, voltou a lê-lo para a visita do escritor a Portugal. “Se calhar para ter um bocadinho de conversa com ele sobre os seus livros”.Manuela Júdice encontrou-se com Vargas Llosa quando o escritor veio ao nosso país para a atribuição do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa. Uma distinção na qual Manuela Júdice e a Casa da América Latina insistiram. “Era preciso dar um doutoramento Honoris Causa a Mario Vargas Llosa“, diz, afirmando que ficou perto do escritor durante o jantar. “A conversa passou muito por Portugal e pelos escritores portugueses como Saramago. Ele estava muito mais interessado em saber coisas nossas do que em falar sobre ele. É uma coisa que acontece com os prémios Nobel, fazem-lhes tantas perguntas e andam sempre atrás deles, que eles depois fartam-se”. .Luís Castro Mendes: “Dá uma compreensão dos mecanismos de ilusão”.Luís Filipe Castro Mendes, embaixador e poeta, destaca como seu livro preferido de Mario Vargas Llosa Orgia Perpétua. “É um livro sobre a arte do romance. Não é um romance, é um livro sobre Flaubert e, onde Vargas Llosa conta também um pouco da sua história de vida”, disse em conversa com o DN, acrescentando que esta obra mostra o poder da escrita. “Dá uma compreensão extraordinária dos mecanismos de ilusão, do poder da escrita e do romance”. Além da Orgia Perpétua, o diplomata não deixa de mencionar Conversa n’A Catedral. “Há autores que têm um livro marcante que a gente não esquece. O Mario Vargas Llosa tem livros diferentes, mas destacaria também Conversa n’A Catedral, que li muito novo e é um livro politicamente muito empenhado e interessante”. O antigo ministro da Cultura descreve o escritor como um grande romancista e um homem que ideologicamente passou da esquerda para direita. “Foi candidato à presidência da República do Peru e fez essa viragem, mas isso não diminuiu em nada o seu género literário como se viu nos livros mais recentes”. Castro Mendes destaca ainda outros livros do autor como Pantaleão e as visitadoras, Guerra do Fim do Mundo e A Tia Júlia e o Escrevedor. “É um grande autor, que aparece ao mesmo tempo que o García Márquez com a corrente realismo mágico, mas é um realista menos mágico. É um escritor mais independente de correntes, de certo modo mais universal, de grande cultura europeia. É portanto bastante diferente de outros escritores”, acrescenta. .Vargas Llosa. Do 'boom' latino-americano ao 'big-bang' do escritor total