David Cabecinha é codiretor artístico do Alkantara Festival com  Carla Nobre Sousa.
David Cabecinha é codiretor artístico do Alkantara Festival com Carla Nobre Sousa.Foto: Gerardo Santos

Alkantara: o festival de artes performativas que se espalha pelas principais salas de Lisboa

Evento realiza-se de 13 a 29 de novembro, com dança, teatro e performance no CCB, Gulbenkian, Culturgest, TNDM II, Teatro do Bairro Alto, MAAT e MNAC, entre outros espaços da cidade.
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Com um público “fiel” mas que se quer alargar, o Alkantara Festival, herdeiro das Danças da Cidade criado em 1993 pela bailarina e coreógrafa Mónica Lapa para dar palco à dança contemporânea portuguesa, decorre todos os anos em novembro com uma programação que abrange não só dança, mas também teatro e performance. Este ano este festival internacional de artes performativas propõe 17 espetáculos, com estreias nacionais e também mundiais, entre 13 e 29 de novembro, que podem ser usufruídos em espaços de instituições culturais como o Centro Cultural de Belém, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Culturgest, o MAAT, o Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), o Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II) e o Teatro do Bairro Alto, que são também coprodutores do festival, juntamente com a Lisboa Cultura.

Promovido pela Alkantara - Associação Cultural, as cerca de duas semanas de festival constituem o momento público de uma atividade que se desenvolve nos meses anteriores. “Ao longo do ano nós temos esta dimensão de apoio à criação através das residências artísticas aqui no espaço Alkantara [Calçada Marquês de Abrantes, n.º 99], e há também projetos que nós produzimos. Anualmente temos sempre um ou dois projetos que produzimos e que depois apresentamos no festival”, explica David Cabecinha, codiretor artístico do Alkantara Festival juntamente com Carla Nobre Sousa.

Este ano não foi exceção, com dois espetáculos de produção própria, um de Inés Sybille Vooduness e Malvin Puerca de Goma, Cadências crioulas, dez mil vezes desdobradas, inspirado na dança caribenha e africana (de 20 a 22 de novembro no Teatro do Bairro Alto), e as performances Prato Feito e REPARA, de Tita Maravilha e Vânia Doutel Vaz, respetivamente, que serão apresentadas em simultâneo em diálogo com obras da exposição Turn around. Um olhar sobre a Coleção de Arte Fundação EDP (28 e 29 de novembro no MAAT).

Apesar da ligação histórica ao Danças na Cidade, David Cabecinha sublinha que ao festival “interessam todas as formas de trabalho do corpo em palco, que podem ser através da dança, do teatro, ou da performance”. O ADN do festival é que não muda: “O Danças na Cidade foi uma plataforma fundada por Mónica Lapa, em colaboração com outras pessoas ligadas à dança, para apresentar espetáculos que, de outra forma, dificilmente encontrariam lugar nas programações. Essa ideia de reivindicar espaço para práticas artísticas e espetáculos que nem sempre têm lugar nas programações de Lisboa é algo que ainda hoje procuramos preservar”. Inerente ao festival está “a ideia de ocupação da cidade e de trabalho em rede com os seus espaços. Faz muito parte daquilo que é a construção do Alkantara e a forma como esperamos que seja reconhecido”, sublinha o diretor artístico.

O festival tem também desde o início uma dimensão internacional que o caracteriza. “É um festival que procura ser um sítio de encontro entre práticas de artistas portugueses e que vivem em Portugal, com a de artistas que estão a desenvolver os seus trabalhos noutras partes do mundo. Procurando pontos de ligação e de contacto, tanto do ponto de vista estético e formal, como do ponto de vista das narrativas, dos temas, das preocupações.”

Há também espaço, neste projeto, para propostas inovadoras. “Procuramos que o festival seja composto por espetáculos capazes de despertar a nossa curiosidade e atenção, e que nos permitam pensar e ver o mundo de diferentes perspetivas. Há muitas vezes coisas que nós reconhecemos ou práticas que são expectáveis, mas outras vezes há rasgos de práticas menos evidentes, um pouco mais experimentais”.

No final, diz David Cabecinha, o que se pretende é pluralidade, o que está bem espelhado na sua programação. “Há uma diversidade e uma abrangência muito grande de pontos de vista que gostamos de preservar”.

Destaques do programa

Menos de Cão Solteiro & André Godinho

Espetáculo de arranque do Festival Alkantara celebra o fim de 29 anos de atividade da plataforma de artistas Cão Solteiro.

13 de novembro: TNDM II

Save the Last Dance for Me

Espetáculo criado por Alessandro Sciarroni, em que dois homens dançam abraçados a ‘polka chinata’, uma dança de cortejo bolonhesa do início do século XX, quase extinta.

14 de novembro: Foyer do Grande Auditório do CCB

Dzudza

Criada pelo coreógrafo e bailarino moçambicano Idio Chichava, esta peça de dança inspira-se na atmosfera do mercado de Xiquelene, nos arredores de Maputo. Chichava foi um dos vencedores, com Dorothée Munyaneza (cuja coreografia também será apresentada no âmbito do Alkantara), da 1.ª edição do Salavisa European Dance Award, em 2024.

17 de novembro: Fundação Calouste Gulbenkian

Trilogia Cadela Força - Capítulo II: The Brotherhood

O segundo capítulo da trilogia Cadela Força de Carolina Bianchi e do coletivo Cara de Cavalo aborda a origem da misoginia e violência sexual, olhando para as fraternidades masculinas e e os seus códigos.

26, 27 e 28 de novembro: Culturgest

Please, Love Me!

Cleo Diára, atriz premiada no Festival de Cannes em 2025, cria Klió, um alter-ego através do qual reflete sobre a sua condição de mulher cabo-verdiana num mundo patriarcal.

27, 28 e 29 de novembro: Teatro do Bairro Alto

Veja aqui a programação completa do Alkantara Festival.

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