A REDE SOCIAL (2010).Sobre o nascimento do Facebook, a partir do livro The Accidental Billionaires (2009), de Ben Mezrich, Aaron Sorkin escreveu um argumento que funciona como uma fábula (social, é caso para dizer) em que a mitologia da comunicação esconde a mais descarnada procura do lucro. Realizado por David Fincher, o filme ocupa um lugar de destaque na galeria das histórias sobre os mecanismos da globalização e, por fim, o esvaziamento das relações humanas. Sorkin ganhou o Óscar de melhor argumento adaptado.STEVE JOBS (2015).A biografia de Steve Jobs (2011), da autoria de Walter Isaacson, é mais um livro que Sorkin trabalha com invulgar agilidade dramática. O seu argumento faz o retrato do fundador da Apple, começando no lançamento do computador Macintosh, prolongando-se até à revelação do iMac, em 1998. São os bastidores de uma espectacular revolução digital, mas também conceptual e humana. Danny Boyle assegura a realização, com Michael Fassbender a dar vida à utopia, e também à solidão, de Steve Jobs.JOGO DA ALTA-RODA (2017).Notável estreia de Sorkin na realização, para mais com uma admirável composição de Jessica Chastain na figura de Molly Bloom, criadora de um “clube” privado de poker que acabaria por atrair as atenções do FBI... Molly’s Game, no original, desenvolve-se como uma aventura pessoal que se vai transfigurado numa parábola sobre a circulação do dinheiro, o seu poder e as suas máscaras. Numa breve presença, como pai de Molly, Kevin Costner tem uma das mais subtis interpretações da sua carreira.OS 7 DE CHICAGO (2020).A Convenção do Partido Democrata, em agosto de 1968, na cidade de Chicago, entrou na memória coletiva como símbolo das feridas de todo um país, e também da nostalgia de uma unidade perdida. Com produção da Netflix, Sorkin revisita o processo dos “7 de Chicago”, manifestantes contra a guerra do Vietname que foram acusados e julgados por conspiração e incitação à violência — com um elenco que integra, entre outros, Jeremy Strong, agora intérprete de Mark Zuckerberg em O Veredito Social.OS RICARDOS (2021).Being the Ricardos no original, produzido pela Amazon, lançado apenas no streaming (Prime Video), eis uma pérola quase ignorada. Sorkin convoca as memórias de um lendário casal da televisão dos EUA — Lucille Ball e Desi Arnaz — para evocar a idade de ouro de Hollywood que, como se prova, foi também um período de glória dos pequenos ecrãs. Nicole Kidman e Javier Bardem são impecáveis na composição do par, deixando-nos a nostalgia amarga e doce de valores de espectáculo que se perderam..'O Veredito Social'. Como o Facebook acabou com os amigos