A primeira vez desde 1956: cancelar Festival Eurovisão era "a única decisão a tomar"

RTP não sabe ainda quando nem como se irá realizar a próxima edição do Festival da Eurovisão. Ainda é cedo para pensar nisso, diz Gonçalo Madail. Neste momento, a prioridade é cumprir o serviço público de televisão.

"Já estávamos à espera desta decisão, como é óbvio", comenta Gonçalo Madaíl, subdiretor da RTP1, perante o anúncio do cancelamento do Festival Eurovisão da Canção que se deveria realizar em Roterdão, na Holanda, de 12 a 16 de maio.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira nas redes sociais do evento, a organização, a cargo da União Europeia de Radiodifusão, refere que ao longo das últimas semanas foram "exploradas várias opções alternativas que permitissem que o concurso fosse por diante", mas a "incerteza gerada pela transmissão da doença covid-19 pela Europa - e as restrições postas em prática pelos governos dos participantes e pelas autoridades holandesas - fez com que fosse tomada a difícil decisão de que é impossível continuar com o evento ao vivo como planeado".

No mesmo comunicado, a organização refere que vão ser mantidas discussões entre todas as partes envolvidas, incluindo a cidade de Roterdão, sobre o local de acolhimento do evento em 2021.

Gonçalo Madaíl sabe que esta foi "uma decisão certamente muito complexa" e que não foi tomada de ânimo leve: "Nós, que já organizámos um festival, sabemos bem que é um evento que envolve muitos parceiros, muitos patrocinadores, muitos milhões. Falta muito pouco tempo, em abril as equipas já deveriam estar todas a funcionar." No entanto, o cancelamento era "a única decisão a tomar" neste momento em que "a Europa e o mundo vivem uma situação tão complicada" e em que o mais importante é garantir a saúde pública.

Esta será a primeira vez em 64 anos de história (a primeira edição foi em 1956) que o Festival da Eurovisão não se realizará. Neste momento, ainda não é possível saber quando e como o Festival da Eurovisão se vai realizar. "São 42 países envolvidos, são decisões muito complicadas", explica ao DN Gonçalo Madaíl. "Os fãs já estão todos a debater o assunto e querem saber como vai ser, mas o futuro é incerto. Haverá festival no próximo ano? Será em Roterdão? Levamos os vencedores deste ano? Não sabemos. Neste momento ainda é muito cedo para pensar nisso e temos outras preocupações mais urgentes, estamos focados, como qualquer outra empresa que tem de cumprir serviços mínimos, em cumprir a nossa função de serviço público", diz, garantindo que a RTP está a cumprir todas as medidas de segurança que estão previstas mas está a trabalhar para continuar a dar a melhor informação aos portugueses. "Informação e também entretenimento, porque nesta altura as pessoas também precisam de bom entretenimento."

A artista Elisa, com a canção Medo de Sentir, seria a representante de Portugal na Eurovisão 2020, depois de ter vencido a final da 54.ª edição do Festival da Canção, realizada em Elvas (Portalegre).

"Estamos muito orgulhosos do Festival Eurovisão da Canção, que há 64 anos une pessoas em toda a Europa. E estamos profundamente decepcionados com essa situação", comentou Jan Ola Sand, diretor executivo do evento. "Lamentamos muito esta situação, mas posso prometer-vos: o festival voltará mais forte do que nunca."

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