A mulher que garante que James Brown foi assassinado

Doze anos depois da morte do cantor americano, uma mulher que o conheceu garante que Brown foi morto. E há uma dúzia de pessoas que acompanham estas suspeitas e pedem uma autópsia e uma investigação criminal.

Doze anos depois da morte do cantor americano James Brown, há uma dúzia de pessoas que o conheciam estão a pedir que seja feita uma autópsia ao seu corpo ou que se inicie uma investigação criminal, revela a CNN - a duas mortes, a de Brown e a de Adrienne, a terceira mulher do cantor.

Segundo Jacquelyn Hollander, cantora de um circo, de 61 anos, alguém assassinou James Brown - e que este a violou. De acordo com um longo trabalho publicado no site da estação americana, há outros que partilham das suspeitas de Jacque, apesar de outras pessoas acharem que as suas histórias são inverosímeis, pouco credíveis.

O repórter da CNN reconhece que várias pessoas que conheceram Jacque disseram-lhe que a mulher "exagera ou alucina". Mas, defende-se o jornalista, "pelo menos três pesquisadores de factos experimentados examinaram de perto as suas afirmações e chegaram à conclusão oposta".

Segundo o autor da reportagem, Larry Largent e Mark Polkosnik, dois conselheiros profissionais que foram polícias, confirmaram à CNN que passaram "muitas horas a aconselhar Jacque por um trauma mental e emocional e determinaram que ela não era louca nem mentirosa - não sobre James Brown, e não sobre sobre qualquer outra coisa".

Também Danny Porter, promotor público do condado de Gwinnett, no estado americano da Geórgia, desde 1992, afirmou que Jacque lhe deu "informações sólidas que ajudaram a resolver um caso de assassinato não relacionado a James Brown". E garantiu "que a considera uma fonte confiável".

Danny Porter garante, pela dupla negativa, que conhecendo Jacque e o que ela conta sobre a organização de James Brown, não pode afastar as dúvidas sobre o caso: "Não posso dizer que não seja verdade", disse Porter. "Porque muito do que ela diz se tornou verdade ao longo dos anos."

"Coisas más aconteceram a pessoas que entraram em conflito com a organização James Brown"

Jacquelyn Hollander mora numa caravana com dois gatos e um chihuahua de nome Pickles, no acampamento do Carson & Barnes Circus. De longos cabelos louros, rugas que não escondem a idade, um maço de cigarros Marlboro, Jacque garante que não é louca, nem está a mentir. Ao jornalista confessou que esperava que ele escrevesse a sua história, porque isso poderia salvar a sua vida. Ou talvez a matasse. "Isso também era uma possibilidade, disse-lhe ela. Coisas más aconteceram a pessoas que entraram em conflito com a organização James Brown", escreve o repórter.

No relato de uma investigação que ocupou o jornalista durante quase dois anos, Thomas Lake revela que viajou por nove estados americanos, leu dezenas de milhares de páginas de registos policiais e judiciais, entrevistou cerca de 140 pessoas, questionou Jacque durante centenas de horas, mergulhou nas profundezas de arquivos de mais de 30 anos, analisou mais de 1300 páginas de mensagens de texto do iPhone de Jacque e enviou um item da sua caixa de plástico verde para testes num laboratório forense.

Ao examinar as mortes de Adrienne Brown e James Brown, o jornalista também descobriu muitas coisas que Jacque não sabia quando lhe telefonou. "Pelo menos outras três pessoas acreditam que a morte de Adrienne Brown não foi uma overdose acidental, apesar do que as autoridades disseram em 1996", aponta.

"Há um padrão perturbador de semelhanças entre a morte de Adrienne Brown e a morte de James Brown 11 anos depois"

E "existem questões legítimas sobre a morte de James Brown, que só podem ser respondidas por uma autópsia e uma investigação criminal", defende. "Há um padrão perturbador de semelhanças entre a morte de Adrienne Brown e a morte de James Brown 11 anos depois."

Na sua investigação, o jornalista falou com o médico com quem Jacque alegava ter falado, aquele que tratou James Brown num hospital em Atlanta antes da sua morte. "Para minha surpresa, ele concordou com uma entrevista. E disse-me que duvidava que Brown tivesse morrido de causas naturais. O médico suspeita que Brown morreu de uma overdose, acidental ou não", tendo Marvin Crawford defendido que fosse feita uma autópsia. Sem sucesso. Talvez agora, 12 anos depois, se possa lançar alguma luz sobre a morte do homem que cantava Get Up (I Feel Like Being a) Sex Machine.

James Joseph Brown Jr. nasceu em 3 de maio de 1933, em Barnwell, na Carolina do Sul, e morreu no dia de Natal de 2006, na cidade de Atlanta, na Georgia, com 73 anos.

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