Exclusivo  "O fundamental é mantermo-nos ao nível dos olhos dos animais, respeitar o ponto de vista deles"

Um filme que é um documento - não um documentário - sobre a vida de um porco fêmea, os seus leitõezinhos e outros animais de quinta. Gunda começou por conquistar Joaquin Phoenix, um dos produtores, e tem partido corações por aí fora. Chegou agora a Portugal. O DN esteve à conversa com o realizador, Viktor Kossakovsky.

Tratamo-la sempre pelo nome: Gunda. Uma mãe deitada no feno que, no início do filme, dá à luz os seus leitões. A câmara circunda-a como que a medir as contrações de um animal sagrado, enquanto as crias procuram o leite que lhes dá força para o primeiro fôlego neste mundo. Mas o mundo não é para todos e o russo Viktor Kossakovsky (n. 1961) quis mostrar como ele é sentido numa quinta. Lugar real e imaginário, físico e holístico, onde galinhas e vacas dão o ar de sua graça, mas são os porcos que triunfam pela simplicidade do quotidiano. Gunda, o filme, é um generoso ato de observação que se deixa revestir de um discurso ativo, mas não o transporta para as imagens. Estas são a própria pureza fotográfica, texturas de tempo que fixam uma linguagem de empatia onde não se escuta uma palavra ou música, mas sim os sons da natureza.

Ao telefone a partir de Berlim, o realizador que antes assinara Aquarela (2018), documentário sobre a fragilidade humana perante a força da água, refere-se a Gunda como uma obra muito pessoal. Emociona-se ao longo da conversa, e regozija-se quando nota que, como ele, fomos abalados pelo olhar triste de Gunda para a câmara no momento em que lhe são tiradas as suas crianças.

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