A época natalícia habitualmente farta à mesa é um período complicado para as doenças cardiovasculares. Os médicos não se cansam de alertar para o consumo excessivo de sal e açúcar que potenciam o aumento da tensão arterial. Mesmo quem é saudável e não tem qualquer diagnóstico de doença deve controlar o que ingere e evitar descuidos e excessos. O conselho de Ana Correia de Oliveira, coordenadora da Unidade de Saúde Familiar da Cedofeita, é ser sensato: "se num dia abusamos e desequilibramos a alimentação, no dia seguinte temos de voltar ao nosso equilíbrio natural"..A SPH tem recolhido testemunhos de hábitos alimentares menos variados e menos saudáveis, muito por causa dos tempos financeiramente difíceis.A quantidade média aconselhada de consumo de sal é de cinco gramas por dia, o equivalente a uma colher de sobremesa, mas a realidade é que os portugueses consomem o dobro. E nas festas, esta quantidade sobe consideravelmente. A presidente da SPH, Rosa de Pinho, acrescenta a necessidade de existir uma motivação para reduzir o consumo de sal e açúcar: "as pessoas conseguem arranjar vontade quando têm um objetivo, mas muitas vezes desculpam-se com o Natal, com um aniversário, depois vem a Páscoa, e por aí fora...Não podemos ser radicais e temos noção que as pessoas não vão cumprir se formos demasiado exigentes, mas é preciso consciencializá-las dos perigos que correm"..Da prática diária de medicina geral e familiar e do contacto direto com os doentes, a presidente da SPH tem recolhido testemunhos de hábitos alimentares menos variados e menos saudáveis, muito por causa dos tempos financeiramente difíceis. "Provavelmente as pessoas têm mais dificuldade económica e optam por géneros alimentares menos nutritivos como as comidas mais rápidas e instantâneas e que são mais prejudiciais para a saúde", aponta Rosa de Pinho..A médica nota também que há pais muito preocupados em saber quando podem começar a colocar sal na sopa das crianças ou quando é que podem começar a dar sumo ou doce. É uma prática errada porque, explica, os bebés não estão habituados a esses sabores e, quanto mais tarde se iniciarem nesses alimentos melhor.