"Nunca se sabe! Acreditava que tudo poderia estar normal, mas podemos ser surpreendidos", disse, tranquilo, Henrique Bastos de 63 anos, após realizar o rastreio. "Foi ótimo passar cá, fiquei a saber do meu estado com mais precisão". Ao despedir-se dos profissionais de saúde, manifestou agrado pela simpatia no serviço considerado fundamental..O sábado esteve solarengo, com temperaturas amenas que convidavam a sair à rua. No centro do Porto, entre a azafama das compras da semana e dos preparativos para o Natal, cerca de 60 portuenses dispensaram alguns minutos para subir à carrinha estacionada junto à estação de Metro da Trindade, onde mediram a pressão arterial, os níveis de colesterol e de triglicerídeos..De acordo com o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde, 2,7 milhões de portugueses entre os 30 e os 79 anos sofrem de hipertensão arterial.O processo era simples: depois de algumas perguntas para despistar fatores de risco como o consumo de tabaco e álcool, excesso de peso e diabetes era medida a pressão arterial três vezes, com intervalo de um minuto, e o colesterol. Por fim, com os resultados, o médico ou enfermeiro deixava o seu conselho. Um processo rápido e nada custoso, como testemunharam os que por ali passaram ao longo do dia..Uma das principais doenças cardíacas.De acordo com o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde, 2,7 milhões de portugueses entre os 30 e os 79 anos sofrem de hipertensão arterial. É uma doença silenciosa que está na base de doenças como acidente vascular celebrar (AVC), ataque cardíaco, insuficiência cardíaca e insuficiência renal. O documento mostra que em 2019 a hipertensão levou à morte de mais de 100 mil portugueses.."A taxa de controlo dos doentes hipertensos não está no valor que gostaríamos", explicou Rosa de Pinho, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, no rastreio. "Apenas metade dos hipertensos são realmente seguidos e têm um bom controlo. A meta é melhorar, porque só assim vamos conseguir diminuir a quantidade de eventos cardiovasculares". A acompanhar o evento esteve ainda a vereadora da saúde e qualidade de vida da Câmara Municipal do Porto, Catarina Araújo, a embaixadora da iniciativa na cidade, Ana Correia de Oliveira, e responsáveis da Servier Portugal, a farmacêutica que apoia a ação..Para Ana Correia de Oliveira, o principal agente de mudança deve ser o próprio paciente: "claro que nós, médicos, ajudamos os doentes nesta orientação, mas depois quem realmente tem de aderir ao tratamento é o próprio doente", disse a coordenadora da Unidade de Saúde Familiar de Cedofeita, considerando esta é uma das principais barreiras ao tratamento da hipertensão em Portugal..O mapa da campanha.Ao visitar, nos próximos meses, diversas cidades, a campanha de rastreio que tem o apoio do DN e TSF vai reforçar e contribuir para a "Missão 70/26", um programa estratégico da Sociedade Portuguesa de Hipertensão que tem como objetivo controlar 70% dos doentes hipertensos até 2026. Por se tratar de um problema transversal ao país, foram escolhidos para além do Porto outros sete pontos, de norte a sul, para rastrear a população: Vila Real, o próximo destino da iniciativa, agendado para 20 de janeiro, Guarda, Coimbra, Santarém, Lisboa, Évora e Faro.