Comissão Europeia impôs “haircut” de 76% no Banif

“Excessivo”, mas ao mesmo tempo conservador. É desta forma que o secretário de Estado do Tesouro classifica o desconto nos ativos do Banif.
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Ricardo Mourinho Félix está hoje a ser ouvido, juntamente com o ministro das finanças, na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativo, numa audição a pedido do governo

O secretário de Estado adjunto, do Tesouro e das Finanças explicou os contornos da venda ao Banif numa medida de resolução: O Fundo de Resolução avança com 489 milhões de euros (através de um empréstimo do Estado ao Fundo), a que acrescem 1766 milhões de uma injeção de capital público.

Além do total de 2255 milhões de euros, foi ainda dada uma garantia de 745 milhões de euros ao veículo que fica a gerir os ativos e ao Santander. A dimensão do valor justifica-se com o “haircut” de 76% aos ativos tóxicos, uma condição imposta pela Europa.

O Santander Totta não compra o Banif, compra a atividade do banco”. Ao fazer a avaliação dos ativos que pretendia absorver, “num par de horas”, deixou de fora outros ativos que serão transferidos para um veículo, Naviget.

De acordo com as explicações do governo, nem todos os ativos transferidos para o veículo resultarão em perdas. Daí que o “haircut” de 76%, imposto pela Comissão Europeia, seja considerado conservador nas palavras do executivo.

Esse veículo emitirá obrigações num montante superior a dois mil milhões de euros, que aplicando o “haircut”de 66% resultará precisamente no valor da garantia de 746 milhões de euros. Ou seja, no pior cenário – de recuperação de apenas 24% do valor dos ativos -, o Santander tem garantidos quase 750 milhões.

O veículo será gerido numa perspetiva de continuidade. Os ativos não vão ser vendidos amanhã”, refere o secretário.

Face à urgência da situação do Banif, e esgotadas as restantes opções em cima da mesa, a alternativa à solução adotada seria a liquidação do Banco Internacional do Funchal esta segunda-feira.

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