Saiba o que fez do Renault Twingo o carro que mais vezes foi abençoado por São Valentim como o melhor carro do mundo para namorar….Todos os anos, por volta do fatídico dia 14 de fevereiro, fatídico para São Valentim que foi decapitado em Roma, o dia dos namorados é celebrado com caixinhas de bombons, jantarinhos à luz das velas e um ou outro gesto mais ou menos romântico. Também é dia para sites e revistas de automóveis do mundo inteiro revisitarem os catálogos antigos de automóveis para elegerem o melhor, ou os melhores, carros para namorar..Nós no Motor 24, não escapámos à maldição de São Valentim. Dizer que um carro é o melhor da história do automóvel para namorar é o mesmo dizer que este ou aquele é ou melhor bolo de chocolate do mundo. É exagero e carece de verificação ou de experimentação..Nunca ninguém provou todos os bolos de chocolate do mundo, como nunca ninguém, por mais galante que seja, namorou em todos os automóveis do mundo..Deixando à liberdade, imaginação ou experiência de cada um a eleição do melhor carro para namorar, a verdade é que há um modelo que é presença obrigatória nas listas dos melhores carros para namorar. Cumpre este ano um quarto de século e é foi um carro cheio de histórias de amor para uma inteira geração, chama-se Renault Twingo e é já um clássico dos tempos modernos..Twingo foi o Nirvana automóvel da década de 90.Em setembro de 1992, os Nirvana e o movimento grungeemergiam como fenómeno de cultura popular que enterrava de vez os anos 80. No mesmo ano, em setembro, o Salão Automóvel de Paris ficava de cara à banda com a nova coqueluche da Renault – o Twingo, que foi provavelmente o carro que marcou decisiva ruptura com os anos 80 e que está para a história do automóvel, como os Nirvana estão para a da música popular..Mas o que tinha aquela caixinha como olhos de sapo de tão encantador e revolucionário para se tornar um pequeno príncipe do seu tempo? A resposta está no design, na funcionalidade e também na musicalidade feliz do seu nome, um misto de twist, swing e tango..O carro foi concebido para reencarnar o espírito prático e acessível da 4L e para se posicionar na gama abaixo do Renault 5 e do Clio..Vários estudos e protótipos foram sendo desenvolvidos na década de 80, com a contribuição de magos do design como Gaston Juchet ou Marcelo Gandini (autor do design de carros com o Lamborghini Countach ou o Lancia Stratos). Mas seria por decisão do presidente da Renault na época, Raymond Lévy, que o projeto receberia o seu impulso decisivo com um cheque de 700 milhões de dólares entregue a Patrick Le Quément para inventar e fabricar um novo conceito automóvel. O grande designer francês, que tinha acabado de ingressar na Renault, definiu desde logo o conceito central do tema: um veículo compacto e monoespaço, que oferecesse espaço interior sem sacrificar o volume e o apelo das formas exteriores..Uma das soluções de engenharia encontradas acabaria por ser determinante para o “romantismo” do original Twingo. Os bancos traseiros que se moviam e eram rebatíveis, podendo juntar-se aos da frente para formar uma autêntica cama de casal no interior do Twingo. A ideia original deste carro-cama já tinha sido patenteada pelo próprio Louis Renault e fora utilizada no Renault 16..Se a isto juntarmos o facto de algumas versões virem a ter um tecto de abrir a toda a extensão, temos então duas qualidades únicas e irrepetíveis na história recente do automóvel para efeitos de noites ao luar. A campanha publicitária de lançamento com dois lutadores de sumo estendidos no 1,76 metros de comprimento do habitáculo, fez furor e mostrou que o Twingo era verdadeiramente grande por dentro e pequeno por fora..Lançado comercialmente em 1993 o original Twingo rapidamente se tornou um sucesso de vendas e um ícone do design e do estilo de vida do seu tempo. Muitas road trips, muitas promessas de amor ao som dos Nirvana num carro que ainda hoje, 25 anos e várias gerações de modelos depois, mantém aquele apelo adolescente e irreverente. O Renault Twingo “smells like teen spirit”.