A associação de investidores, ATM, e um grupo de acionistas da Cimpor, vão avançar com um processo judicial contra a o regulador do mercado. A associação defende que a CMVM prestou "informação falsa e errada", no âmbito da Oferta Pública de Aquisição, OPA, da cimenteira, que causou prejuízos aos investidores. . Os investidores questionam a forma como a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) interpretou e anunciou ao mercado o resultado da alienação potestativa. . "Vários investidores assentaram a sua decisão de investir em ações da Cimpor baseados num juízo fundamentado em informação falsa e errada disponibilizada no sitio da internet da CMVM relativamente aos resultados da OPA de ações da Cimpor por parte da InterCement", refere a ATM. . Perante essa informação, continua a associação, "os investidores conluíram que o Oferente tinha reunido as condições necessárias para fazer uso do direito de aquisição potestativa como anunciado no prospeto de Oferta, ou os acionistas remanescentes fazerem uso da alienação potestativa". . Considerando que a informação era falsa e que não foi "tempestivamente corrigida" a ATM adianta que "em conjunto com um grupo de acionistas da Cimpor, pretende mover um processo judicial de natureza cível contra a CMVM, O Emitente, Euronext Lisbon, e o Oferente de forma a que os investidores possam ser ressarcidos dos danos patrimoniais e não patrimoniais causados por essa informação falsa". . A ATM vai pedir esclarecimentos à CMVM "sobre qual foi a base e parecer em que assentou essa interpretação", solicitar à Procuradoria-Geral da República parecer sobre o "alcance do artigo 196º do Código VM com caráter de urgência" e pedir ao Provedor de Justiça "que se pronuncie sobre a interpretação da CMVM". . A ATM vai, ainda, apresentar "queixa-crime contra desconhecidos por suspeita de manipulação de mercado de valores mobiliário", defendendo que o movimento do preço das ações da Cimpor dos últimos dias "preenchem fortes suspeitas de manipulação de mercado". . Segundo a associação, "a factualidade e realidade aderente à OPA que permitia a qualquer interessado vender a 5.50 euros a quantidade que pretendesse de ações, ao que se junta a realização de ordens de elevados (anormais) volumes em momentos muito sensíveis de formação de preço, nomeadamente em fecho", são motivos para haver suspeitas de manipulação.