Exclusivo Homem de Grauballe, o agricultor da Idade do Ferro que viveu duas vidas

Com mais de vinte séculos, o corpo mumificado do Homem de Grauballe narra a história de uma Europa selvagem, habitada por deuses primitivos. Foi descoberto em 1952 numa turfeira dinamarquesa.

Prémio Nobel da literatura em 1995, o irlandês Seamus Heaney, distinguiu-se pela sua obra poética desenvolvida ao longo de mais de cinco décadas. Nascido em 1939 na Irlanda do Norte, Seamus publicou em 1966 a sua primeira antologia poética com o título Morte de um Naturalista, obra que, entre outros périplos, viaja às memórias juvenis do seu autor. Seria também a recordação de uma fotografia que vira anos antes, a inspirar um dos poemas que Seamus Heaney incluiu numa das suas primeiras antologias, publicada em 1975. Em Norte, obra que desenha um olhar crítico sobre as origens da violência na Irlanda do Norte, o poeta e também dramaturgo, trilha, em versos, a homenagem ao "Povo do Pântano". Heaney introduz na sua poesia a descrição de homens e mulheres da Idade do Ferro, encontrados nos depósitos de turfa no Noroeste da Europa.

Entre as narrativas poéticas dos corpos preservados em zonas pantanosas por mais de dois mil anos, Seamus detém-se na vida passada daquele que ficou conhecido como o Homem de Grauballe, em alusão à vila onde fora descoberto, na península da Jutlândia, Dinamarca. De bruços, com a pele curtida pelo ambiente húmido onde se encontrava preservado desde o século III a.C., o Homem de Grauballe comoveu o poeta do século XX, falecido em 2013, com uma vida deambulante entre Dublin e os Estados Unidos da América. Seamus não foi o único a comover-se com a história do viajante da Idade do Ferro. Já antes, dezenas de milhares de cidadãos dinamarqueses havíam rumado à nova casa de Grauballe, no Museu da Pré-História de Aarhus.

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