Há céus azuis e água em Plutão

A água encontra-se no estado sólido e só é visível nalgumas regiões do planeta-anão.

Aguiar-Branco salientou que o Estado Islâmico é uma organização terrorista que constitui uma ameaça no sul da Europa

As primeiras imagens da atmosfera de Plutão enviadas pela sonda New Horizons, enviada pela NASA até ao sistema solar exterior, mostram que os céus do planeta-anão são azuis. Informação enviada pela mesma sonda permitiu ainda saber que existe água em estado sólido em Plutão, divulgou a agência espacial norte-americana esta quinta-feira.

"Quem imaginaria que haveria um céu azul na Cintura de Kuiper?", disse Alan Stern, o principal cientista ligado à sonda New Horizons, citado num comunicado da NASA. A fotografia da atmosfera do planeta tirada pela sonda mostra como as partículas do nevoeiro refratam a luz azul.

As partículas em si serão, em princípio, cinzentas ou vermelhas, e de um tamanho um pouco maior do que as partículas mais presentes na atmosfera terrestre, moléculas de azoto. A atmosfera de Plutão será, assim, principalmente constituída por "partículas semelhantes à fuligem a que chamamos tolinas", explicou a cientista Carly Howett. As tolinas formar-se-ão na parte superior da atmosfera, a partir da interação da luz solar com moléculas de azoto e de metano.

A sonda New Horizons descobriu também a existência de água gelada na superfície do planeta-anão. A água gelada só é visível nalgumas regiões do planeta-anão - grande parte da superfície de Plutão não mostra gelo de água exposto. Noutras áreas, a água gelada "estará coberta por outros gelos mais voláteis", explicou o cientista Jason Cook. "Perceber por que é que a água aparece onde aparece, e não noutro lugar, é um desafio que estamos a começar a enfrentar".

A revelação da presença de água em Plutão já começou a ser falada desde a semana passada, quando Alan Stern disse, na apresentação de novas fotografias da lua de Plutão, Caronte: "Este mundo está vivo", e acrescentou, "Todas as semanas fico incrédulo. A NASA não me deixa dizer o que vos vamos contar na quinta-feira. É incrível". Esta quarta-feira, quando o anúncio do dia seguinte começou a ser antecipado, Alan Stern veio desmentir que qualquer coisa fosse passar-se.

Através da conta não-oficial do Twitter, NewHorizons2015, que é usada pelo principal cientista Alan Stern, o rumor foi desmentido. "Não faço ideia como [as minhas declarações] foram mal interpretadas, mas foram", afirmou. Mas afinal, quinta-feira, sem mais nenhuma notícia do que aí vinha, a NASA anunciou a descoberta do céu azul de Plutão e de gelo na superfície do planeta-anão.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.