Pedreira do Alvito vai ter 1300 novos habitantes

Plano de pormenor da zona, na freguesia de Alcântara, obriga a que 137 casas sejam colocadas no mercado em regime de arrendamento acessível.

O novo mega projeto imobiliário que vai nascer na Pedreira do Alvito, junto ao Parque Florestal de Monsanto, vai ter 547 habitações, das quais 137 terão de ser postas no mercado em regime de arrendamento acessível. Condições impostas pelo Plano de Pormenor traçado para aquele local, que define as condições de reordenamento da zona e as regras de construção.

O documento, que teve várias versões, a última das quais aprovada no final de 2015 - alvo de uma "correção material" em fevereiro deste ano - estima que as construções previstas levem para o novo espaço habitacional cerca de 1300 pessoas. Em causa estão dez edifícios, cinco dedicados a habitação e comércio, três exclusivamente para habitação, e dois para equipamentos - que, segundo o projeto agora anunciado serão uma escola e um lar de terceira idade. De acordo com o que ficou delineado no plano de pormenor, os fogos T1 e T2 serão a tipologia dominante (35% cada um), seguindo-se os T3 (25%) e os T4 (5%).

O Plano estabelece também que os edifícios a construir não poderão ter mais de sete pisos acima do solo e uma altura máxima de 25 metros. Estão previstos 612 lugares de estacionamento na via pública.

De acordo com números avançados pela JLL, empresa que intermediou a compra dos terrenos pelo grupo imobiliário chinês EMGI Group ao Millenium BCP, o projeto imobiliário contempla 87 000 metros quadrados para habitação, 22 000 metros quadrados para escritórios e 11 000 metros quadrados de retalho. Os edifícios a construir terão 900 lugares de estacionamento. O projeto envolve, segundo números avançados pela JLL, um investimento de 300 milhões de euros.

O local onde nascerá o novo projeto corresponde, em parte, ao espaço de uma antiga pedreira, encerrada no início do século XX, de onde era extraída pedra calcária (e que está longe de ser um caso único: boa parte da calçada da cidade provém de pedreiras que existiram na serra de Monsanto). A proposta de plano de pormenor elaborada em 2012 já falava na "degradação paisagística e ambiental da área da antiga pedreira e a falta de espaços verdes" sublinhando, no entanto, a necessidade de particular cuidado com esta localização, um "ponto dominante do sistema de vistas sobre o Vale de Alcântara". O local esteve ocupado por várias construções clandestinas, agora ao abandono.

A área que vai ser intervencionada é delimitada a norte pelo Parque Florestal de Monsanto e a oeste pela Tapada da Ajuda. Uma proximidade que, por si, não é razão de preocupação para as organizações ambientalistas. Ressalvando que é preciso ver o projeto de arquitetura no detalhe, Francisco Ferreira, presidente da Zero, não considera que esta proximidade possa constituir um risco de maior pressão sobre a zona florestal: "Em termos de ordenamento do território, está consignada no Plano Diretor Municipal, não tira nada ao Parque do Monsanto".

O novo projeto vai ocupar uma área de cerca de 14 hectares. O Plano de Pormenor incide sobre uma área de mais de 20 hectares, abrangendo também os terrenos do antigo bairro social do Alvito, o complexo desportivo do Atlético Clube de Portugal e uma zona com habitação de realojamento.

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