Só uma minoria usa transportes públicos. Não são rápidos nem confortáveis

Na hora de se deslocarem, residentes nas áreas metropolitanas preferem automóveis. Apenas 11,1% das pessoas do Porto e 15,8% em Lisboa usam os transportes públicos e/ou coletivos como principal meio de transporte

Na hora de se deslocarem, os residentes das áreas metropolitanas de Lisboa (AML) e Porto (AMP) fazem-no de automóvel - e os transportes públicos são usados por uma imensa minoria, mais na capital que no Norte, revelam os resultados provisórios do Inquérito à Mobilidade nestas áreas metropolitanas. Quem escolhe o carro, fá-lo porque não tem boas alternativas.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2017, o uso de transportes públicos está diretamente relacionado com a existência de várias possibilidades de meios de transportes.

A escolha do automóvel deve-se à falta de "rapidez" e de "conforto" dos transportes públicos (para metade ou mais dos inquiridos), seguidos "rede de transportes públicos sem ligação direta ao destino", "ausência de alternativa" e "serviços de transporte público sem a frequência ou fiabilidade necessárias" (com valores acima dos 25%)

No caso dos residentes no Porto, a escolha da viatura ligeira faz-se por ser mais "rápido" (para 58,4%) e ter mais "conforto" (49,8%). Em Lisboa, a opção da rapidez leva 62,5% a escolherem o carro e 50,4% pelo conforto.

O uso dos transportes públicos e coletivos (que são o autocarro, o comboio, o metropolitano, o barco, o transporte escolar ou de empresa e o táxi) acontece por exclusão de partes: 52,5% dos residentes na AMP e por 45,3% dos residentes na AML não conduzem ou não têm transporte individual.

A "ausência de alternativa" e o "preço/custo do transporte público" surgem imediatamente a seguir (49,5% e 37,9% na AMP e 43,1% e 35,7% na AML)

No Porto, onde apenas 11,1% das pessoas usam os transportes públicos e/ou coletivos como principal meio de transporte, os "valores mais elevados e acima da média metropolitana" encontram-se nos municípios do Porto (18,5%) e Gondomar (16,8%) e "em quatro municípios contíguos a estes dois territórios municipais", como refere o estudo: Matosinhos (13,8%), Valongo (13,3%), Vila Nova de Gaia (11,5%) e Maia (11,2%), todos eles servidos pela rede do metro do Porto e/ou por comboios suburbanos.

Por oposição, Oliveira de Azeméis (2%), São João da Madeira (2,1%), Vale de Cambra (4,8%), Santa Maria da Feira (5,3%) e Arouca (5,2%) são os municípios onde menos se usam transportes públicos e/ou coletivos.

Já em Lisboa, onde os números sobem para os 15,8% de utilizadores desses transportes como principal forma de se deslocarem, os valores sobem nos municípios de Lisboa (22,2%), Odivelas (19,4%), Almada (18,7%), Loures (18,5%), Barreiro (18,4%) e Amadora (18,2%), onde as alternativas são mais diversificadas. Do lado oposto estão os municípios de Sesimbra (6,2%), Mafra (6,8%) e Setúbal (7,1%).

Segundo o INE, "o transporte individual motorizado" é o principal meio de transporte utilizado - 69% na AMP e 59,8% na AML, no total - e, deste tipo de transporte, o automóvel é aquele que os cidadãos residentes nestes municípios preferem. De novo, mais os do Porto que os de Lisboa: o ligeiro de passageiros é principal meio de transporte nas deslocações em 67,6% dos casos na AMP e em 58,9% na AML. Nas deslocações nos dias úteis, o automóvel pesou 65,2% na AMP e 56,3% na AML, acrescenta o estudo.

Já o uso de "modos suaves" de mobilidade - pedonal ou bicicleta - é maior em Lisboa que no Porto: 18,9% na AMP e 23,5% na AML, percentagens semelhantes "às que se obtêm quando se consideram apenas os dias úteis".

O principal motivo das deslocações foi o trabalho, refere o inquérito: 30,3% do total na AMP e 30,8% na AML.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.