Arqueólogos desenterram esqueletos, uma rua e um gato em Cacela Velha

Projeto da Universidade do Algarve com a Direção Regional de Cultura do Algarve e o Município de Vila Real de Santo António permitiu saber mais um pouco sobre necrópole algarvia

O cemitério medieval do bairro Almóada dos séculos XII e XIII revelou-se mais um pouco. Escavações arqueológicas no mês de julho revelaram 10 esqueletos humanos, uma rua e um gato no sítio do Poço Antigo, em Cacela Velha, Vila Real de Santo António.

"Nesta campanha arqueológica, foram exumados 10 esqueletos humanos pertencentes à geração dos povoadores cristãos da região, após a conquista do Algarve aos mouros, em 1249", pode ler-se numa nota no site da câmara municipal de Vila Real de Santo António. No total, "somam-se assim 66 sepulturas escavadas e 86 indivíduos identificados neste cemitério da época medieval". Foi ainda descoberta uma rua principal, que poderia atravessar este conjunto habitacional, ligando a zona portuária a uma das entradas do bairro.

O Poço Antigo fica fora das muralhas de Cacela, numa Zona Especial de Proteção do Núcleo Histórico de Cacela-a-Velha, classificado como Imóvel de Interesse Público, desde 1996.

O projeto arqueológico é fruto de uma colaboração entre a Direção Regional de Cultura do Algarve (DRCAlg), a Universidade do Algarve (UAlg) e o Município de Vila Real de Santo António, com a participação da universidade canadiana Simon Fraser University (SFU). A coordenação ficou a cargo de Cristina Tété Garcia (DRCAlg), Maria João Valente (UAlg) e Hugo Cardoso (SFU).

As escavações duraram quatro semanas e foram antecedidas por uma formação na Universidade do Algarve. Segue-se a limpeza do local, a elaboração de um inventário e o estudo dos materiais que ficarão na Universidade do Algarve e no Centro de Informação e Interpretação do Património de Cacela do Município de Vila Real de Santo António. Em 2019, está prevista a continuação das escavações.

O DN tentou contactar os coordenadores pelas escavações arqueológicas, sem sucesso.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.