Siderurgia promete investir 80 milhões para melhorar ambiente

Empresa responsável pela SN responde aos moradores da Aldeia de Paio Pires que a acusam de poluir o ambiente garantindo que cumpre todos os requisitos no que diz respeito e à sustentabilidade.

A Siderurgia Nacional investiu 400 milhões de euros na modernização da fábrica situada na Aldeia de Paio Pires (Seixal) e tem em execução até 2020 um plano para aplicar mais 80 milhões de euros em instalações relacionadas com o ambiente, como uma nova central de gases, um novo corte de sucata ou a colocação de uma barreiras acústica junto à estrada nacional que passa junto àquela localidade.

É desta forma que a empresa dona da unidade fabril acusada de poluir há vários anos o ar que os cerca de 15 mil moradores da zona respiram responde às críticas de não estar a cumprir as regras ambientais. Alertas feitos por um grupo de moradores que criou uma página na rede social Facebook chamada "Contaminados do Seixal" onde têm publicado fotos do que consideram ser a poluição que afeta a população.

A Megasa, empresa que explora a SN, garante ainda que tem "todas as certificações necessárias no domínio da Segurança, Ambiente, Qualidade e Sustentabilidade".

As denúncias chegaram à Assembleia da República e esta sexta-feira (dia 15) os deputados da comissão parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação vão visitar as instalações da Siderurgia Nacional/MAGASA (o programa inclui idas à central de oxigénio, tratamento das escórias e forno elétrico). Depois devem reunir-se com o presidente da Câmara do Seixal e com os representantes da associação "Os Contaminados".

Já na manhã desta quinta-feira o PCP, pela voz do secretário-geral, considerou necessário fiscalizar a poluição na Aldeia de Paio Pires para perceber se é possível compatibilizar aquela indústria com o ambiente. "Aqui a grande questão que se está a colocar é saber se é possível ou não compatibilizar a produção nacional com a defesa do ambiente e, nesse sentido, por parte do PCP e da câmara municipal, temos acompanhado o processo, os graus de poluição que são muito elevados, e são precisas medidas de monitorização, fiscalização e autorização da entidade que zela pelo certificado da empresa", defendeu Jerónimo de Sousa no final de uma viagem de barco entre o Cais do Sodré e o Seixal.

Num documento a que o DN teve acesso a empresa defende-se das acusações garantindo que fez investimentos na modernização da fábrica - 400 milhões de euros - e que tem como objetivo aplicar mais 80 milhões em projetos relacionados com o ambiente como, "uma nova central de gases, com redução significativa do impacto acústico; instalação para corte de sucata de grandes dimensões; maquinaria móvel com impacto na redução de difusas; canhões nebulizadores para evitar a dispersão de difusas; encapsulamento das telas de processamento de ASIC; reforma do sistema de despoeiramento da aciaria; reforço da insonorização das naves da aciaria; barreira acústica nos limites da estrada 10-2; cobertura na zona de arrefecimento da escória negra e a continuação da arborização".

Garante ainda empresa que está prevista a instalação de um parque de produção fotovoltaica para autoconsumo num investimento que rondará os sete milhões de euros.

Nesta exposição é ainda frisado que a "80% do produto acabado é para exportação" e que "a produção siderúrgica da SN Seixal triplicou desde a privatização da Siderurgia Nacional-Empresa de Produtos Longos SA em 1995,superando neste momento os 1.1 milhões de toneladas por ano".

Fonte da SN confirmou ao DN que a empresa já foi alvo de 60 inspeções por parte da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Oordenamento do Território, mas que só foi alvo de duas contraordenações, sendo que "uma estava relacionada com uma ligação à ETAR e nada tinha a ver com o trabalho da fábrica".

Os moradores dizem que diariamente são afetados por pó de limalha - que podem apanhar com um íman - e por um pó branco. Em relação a esta última queixa, a fonte contactada pelo DN frisa que não pode ter origem na fábrica pois esta "não trabalha com qualquer tipo de material que dê origem a este tipo de situação."

Os moradores da Aldeira de Paio Pires estão a recolher até esta quinta-feira resíduos das substâncias que encontram nas varandas, carros e na rua com o objetivo de entregaram esta sexta-feira aos deputados essas provas de poluição.

Neste momento decorre também uma investigação liderada pelo Ministério Público depois de os moradores terem apresentado cerca de três dezenas de queixas na Guarda Nacional Republica. O grupo "Contaminados do Seixal" está ainda a preparar uma ação popular e quer respostas para perguntas como: "É verdade que a incidência/prevalência de doenças do foro respiratório, desde a mais simples alergias aos já mencionados carcinomas e DPOC, ultrapassam, em Aldeia de Paio Pires, a média nacional?"; "Podem - governo e autarquias - garantir que o ar que se respira, em Aldeia de Paio Pires (e zonas limítrofes, num raio de vários quilómetros), em momento algum representa um perigo para a saúde pública?".

No que diz respeito a processos a Associação Terra da Morte Lenta já interpôs uma ação cível no Tribunal de Almada.

A Câmara Municipal do Seixal também já se pronunciou sobre o tema, tendo aprovado a 30 de janeiro um documento em que exige uma "Melhor Qualidade de Vida - Tolerância Zero à Poluição Industrial".

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