A construtora brasileira Odebrecht, envolvida no escândalo de corrupção Lava Jato, pediu proteção contra credores ao abrigo da lei de falências. O pedido foi feito em tribunal de São Paulo, no Brasil, e a empresa visa reestruturar 51 mil milhões de reais (11,6 mil milhões de euros) de dívida..O pedido, definido como uma das maiores reestruturações de dívida por via da justiça na América Latina, segundo a Reuters, surge depois de o grupo se debater com problemas financeiros há vários anos..A empresa pede ao juiz para impedir que os sete maiores credores do grupo - seis bancos e um fundo de investimento - tomem posse ou vendam ações daquela que é considerada a "jóia da coroa" do grupo, que controla a participação na empresa petroquímica Braskem. As ações da petroquímica são dadas em garantia aos credos. Contudo, a Odebrecht afirma que a participação na Braskem é essencial para a sua reestruturação, uma vez que esta foi responsável por quase 80% das receitas do grupo no ano passado..A Odebrecht defende que a proteção à falência é a melhor formade concluir a reestruturação da sua dívida, já que os credores tentaram apreender ativos dados em garantia para empréstimos não pagos. A reestruturação da dívida diz respeito à controladora Odebrecht e a uma rede de holdings..O valor total da dívida totaliza os 22.400 milhões de euros, sendo a maior falência da história da América Latina, indica o Cinco Días. No início deste mês, a Odebrecht convocou uma assembleia de credores, onde tentou vender a petroquímica..O conglomerado, um dos maiores do Brasil, não conseguiu se recuperar dos escândalos descobertos pela Lava Jato, a maior operação anticorrupção da história do país. A investigação começou em 2014 e paralisou a empresa, que perdeu acesso a fundos públicos. O enredo não se limitou ao Brasil e foi expandido por outros dez países da América Latina e África, onde são investigados pagamentos de suborno a políticos por parte da empresa de construção..A Odebrecht assinou acordos que incluem o pagamento de multas aos governos dos Estados Unidos, Brasil, Peru, Panamá, República Dominicana, Guatemala, Equador e Suíça e está a trabalhar com outros países para fechar acordos semelhantes.