A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, apresentou esta segunda-feira as contas em torno do programa eleitoral do partido e confirmou que espera investir 1200 milhões de euros na reabilitação e construção de 80 mil casas até ao final da próxima legislatura..A líder bloquista anunciou também um pacote de “justiça fiscal”, com o qual prevê arrecadar 2128 milhões de euros com o fim do regime dos residentes não-habituais, a tributação de fortunas acima de 1,6 milhões de euros, heranças superiores a um milhão de euros, IVA à taxa máxima para hotéis, e ainda um imposto para serviços digitais, cobrado a empresas como “a Google e o Facebook”..“Justiça fiscal em Portugal quer dizer aliviar quem trabalha, aliviar o consumo de quem vive e de quem trabalha em Portugal, mas reequilibrar pedindo um contributo justo às grandes fortunas, aos grandes lucros, ao património milionário”, defendeu Mariana Mortágua. “Dizem as estatísticas que em Portugal há um desequilíbrio demasiado grande sobre impostos no consumo e no trabalho, e que tributa muito pouco em comparação às grandes fortunas e às grandes riquezas. E a grande riqueza é até em níveis menores do que se encontra noutros países da União Europeia e dos Estados Unidos da América”, explicou a líder do BE..No início da apresentação, Mariana Mortágua começou por desmontar as propostas fiscais do PSD, não só sob a forma de promessas eleitorais mas também como medidas defendidas ainda no ano passado na rentrée política dos sociais-democratas. Na perspetiva da líder bloquista, o PSD apresentou contas que “não tem como explicar” e que não passam de “ilusão”. Para defender esta tese, Mariana Mortágua referiu o 15.º mês proposto pelos sociais-democratas como um prémio de produtividade pago pelas empresas. “Não é obrigatório, não é salário e não conta para a reforma”, criticou. Para além disto, atacou o pilar do pacote fiscal do PSD, que é o IRS. No que diz respeito à taxa máxima de 15% que os sociais-democratas propõem para os jovens até aos 35 anos, Mortágua lembrou que “o IRS pago em Portugal é, em média, 13,5%”, e que “só os 20% mais ricos pagam uma taxa de IRS acima” desta percentagem..Portanto, para a coordenadora do Bloco, esta proposta é “uma ilusão para quem não quer aumentar salários”. Sobre a proposta do PSD que incide no IRC, Mortágua lembrou que “43% das empresas não pagam” este imposto, pelo que baixar o IRC até 15% só iria beneficiar “as maiores das maiores empresas”. “As propostas do PSD são uma ilusão, não chegam a ninguém, não causam mudança, não se fazem sentir”, rematou..Sobre as medidas bloquistas, Mariana Mortágua previu um custo de 105 milhões de euros no primeiro ano de aplicação das propostas para salvar o Serviço Nacional de Saúde, que atingirão 265 milhões a partir do segundo ano de aplicabilidade. Já para a recuperação do tempo de serviço dos professores, anunciou um custo total de 300 milhões de euros. Para combater a pobreza, a líder bloquista prevê 185 milhões de euros para a comparticipação a 100% de medicamentos para quem ganha menos do que o salário mínimo. Para além disso, para fazer subir as pensões acima do limiar da pobreza, Mortágua estima que custará ao Estado 578 milhões de euros..Por fim, mostrou que os custos de medidas para baixar a fatura da energia, que incluem a “garantia de eletricidade no inverno”, a redução do IVA da luz para 6% e um plano de eficiência energética terá um custo total de 780 milhões.