Mais de metade dos portugueses conta fazer compras durante a Black Friday e 43% espera por estas épocas do ano - onde os retalhistas apostam nos descontos - para comprar equipamentos como computadores, smartphones e eletrodomésticos..Os dados são do Google Consumer Survey de julho, agora conhecidos. Nuno Pimenta, Industry Head - Travel, Retail e Startups da Google Portugal, explica que eventual impacto a pandemia pode ter tudo nas expectativas traçadas no verão. E que estratégias os retalhistas podem adotar para conquistar os clientes no online..Esta acredita o responsável da Google Portugal será a época alta mais longa e digital de sempre em Portugal..Dados do Google Consumer Survey Julho 2020 dão conta que 60% dos portugueses tencionavam comprar durante a Black Friday. De julho a esta parte, o desemprego no país subiu e a economia não dá sinais de grande recuperação. Que impacto isso poderá vir a ter nas decisões de compra dos consumidores nacionais?.Antes de mais acho que é importante dizer que, pelo que temos acompanhado do mercado, mais do que uma Black Friday este ano vamos viver uma "Peak Season" que começou já no final de outubro com o dia de Compras de Net, que incluiu o Singles Day e que terminará apenas no Natal. Serão quase dois meses em que as marcas apostarão em atrair novos clientes através de estratégias promocionais. Nesse sentido, em primeiro lugar, do lado da oferta, haverá maior interesse comercial para garantir um bom fecho de ano; do lado da procura, muitos consumidores estão à espera de bons negócios para fazer algumas das compras que não fizeram durante o ano. Esses dois factores poderão levar a Peak Season deste ano a ser um dos momentos de compras mais importantes a que já assistimos em Portugal..Face às restrições da pandemia, muitos retalhistas estão a optar por estender Black Friday a todo o mês - evitando-se frustrações com atrasos de entrega -, como comenta? É uma estratégia que pode provar ter sucesso e mitigar perdas?.Temos assistido a um trabalho fantástico dos principais operadores logísticos na preparação para esta peak season. A maior parte começou já a preparar-se há muitos meses, pelo que estou certo que estarão preparados. Adicionalmente, vemos também uma utilização cada vez maior de outras modalidades de entrega: recolha em loja, recolha em pontos específicos, etc. Estas soluções ajudarão a dispersar o "stress" das operações logísticas. Por outro lado, os consumidores estão também cada vez mais maduros na escolha da modalidade de entrega que mais lhes convém em função da sua urgência. Resumindo, creio que existirão desafios naturais à grande procura e que os retalhistas devem adotar estratégias para minimizar os picos, mas que o mercado vai saber ajustar-se..Com número de clientes em loja limitado e fortes recomendações para se evitar aglomerações, considera que isso poderá jogar a favor de uma Black Friday e Natal mais digital? Que impacto antecipa, comparativamente a outros anos?.Sim. Não temos qualquer dúvida que esta será a Peak Season mais longa e mais digital de sempre em Portugal. Não só pelas restrições à circulação mas principalmente pelo facto de, aquando da primeira vaga, termos tido um enorme número de pessoas em Portugal que compraram online pela primeira vez. A maioria destas pessoas teve boas experiências de compra e sente-se agora muito mais confiante para continuar a comprar online. Assim, nesta peak season, vamos ter não só os consumidores que já compravam naturalmente online como toda uma nova vaga de consumidores que experimentou o online e que vai continuar a utilizar este canal adicional. Por último, muitas marcas privilegiarão o canal online já que lhes permitirá mitigar riscos de eventuais agravamentos às limitações de circulação..O Governo anunciou um protocolo com retalhistas para prolongar período de trocas das compras de Natal - até final do janeiro - seria uma lógica importante também para aplicar ao ecommerce?.De forma geral, dizemos que é importante garantir que os consumidores tenham uma boa experiência de compra, independentemente do canal em que o fazem, pois marca é a mesma.Ao nível de estratégia digital, que conselhos daria aos retalhistas para retirar o maior potencial deste canal de modo a mitigar perdas que estão a ocorrer nas lojas físicas?.Em primeiro lugar, devem garantir a sua "presença" quando os consumidores pesquisam pelos seus produtos online. Este seria sem dúvida o meu primeiro conselho. Não estar presente quando alguém procura um produto que temos para vender é como ter a porta da loja fechada... Em segundo lugar, devem garantir que se focam na maximização das vendas e na atração de novos clientes. Este é um período em que vamos voltar a ter muitos "first time buyers" e as marcas que forem melhores a "atraí-los" e a oferecer-lhes uma boa experiência, terão uma grande possibilidade de os fidelizar e aumentar a sua rentabilidade no futuro. Por último, as marcas devem garantir total transparência na comunicação com os seus clientes ao nível dos custos e tempos de entrega. A última coisa que vão querer é dececionar as suas expectativas..O mesmo estudo da Google indica 43% dos portugueses admite esperar por datas como a Black Friday para comprar produtos de que precisa (como smartphones, computadores, eletrodomésticos...). No que toca a esse tipo de equipamentos, em particular os computadores o confinamento, teletrabalho e telescola obrigou muitos consumidores a antecipar compras. Que impacto terá nesta estimativa?.Sem dúvida que há categorias que, por necessidade, os consumidores já anteciparam. Ainda assim, muitas destas categorias têm uma dinâmica de inovação fortíssima pelo que continuarão a existir necessidades de "actualização/renovação" de produtos. Acreditamos que categorias como as de consumer electronics vão ser daquelas que terão maiores crescimentos nesta Peak Season..Que produtos/categorias considera que poderão ser estrela tendo por base peak seasons anteriores?.Olhando para Peak Seasons anteriores e também para as tendências de pesquisa, esperamos que o crescimento vá acontecer de forma transversal. Ainda assim, categorias como Consumer Electronics, TV, Beleza (Perfumes), Moda, Desporto e Casa deverão ser especialmente importantes este ano. As duas últimas, por exemplo, já tiveram um crescimento muito grande em termos de e-commerce ao longo de todo o ano e é esperado que continuem a ter uma Peak Season forte. Uma outra categoria em que estamos expectantes é a de Viagens. Com as últimas notícias sobre uma potencial vacina e o interesse em voltar a planear viagens quando seja seguro, muitos operadores estão a apostar em melhores preços e flexibilidade das marcações, esperamos que também possa haver um crescimento nesta área.