Oposição colombiana apresenta plano de resposta a sismo que abalou o país
CARLOS ORTEGA/EPA

Oposição colombiana apresenta plano de resposta a sismo que abalou o país

Entre as propostas está um pedido para que o estado de emergência económica não afete as populações vulneráveis, assim como um alerta para uma possível segunda emergência devido à seca, aos incêndios florestais e a um eventual fenómeno El Niño.
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A oposição colombiana, apresentou esta quarta-feira um plano para responder à emergência provocada pelo sismo de magnitude 7,4 que abalou o país no passado dia 10 de agosto.

Entre as propostas apresentadas pela oposição liderada pelo senador de esquerda Iván Cepeda e pelo ex-presidente Gustavo Petro (2022-2026), está um pedido para que o estado de emergência económica não afete as populações vulneráveis e alertou para uma possível segunda emergência devido à seca, aos incêndios florestais e a um eventual fenómeno El Niño.

"É indispensável agir desde já com prevenção, coordenação e responsabilidade, e com um plano nacional de caráter integral", afirmou Cepeda, que exigiu também que o Estado garanta aos desalojados teto, alimentação, água potável e assistência médica enquanto a reconstrução avança.

"Nenhuma família pode ficar abandonada ao relento nem condenada à precariedade enquanto reconstrói a sua vida", sustentou.

A oposição pediu ainda que as ajudas sejam distribuídas sem discriminação por condição social, convicções políticas ou religiosas, origem étnica ou território, e que a solidariedade nacional e internacional seja guiada "exclusivamente pela proteção da vida e da dignidade humana".

Por sua vez, Petro pediu ao presidente Abelardo de la Espriella que retome o projeto de reforma tributária que o seu Governo deixou submetido ao Congresso antes de terminar o mandato e que, segundo afirmou, permitiria arrecadar cerca de 20 biliões de pesos (5,8 mil milhões de euros), como parte dos recursos necessários para financiar a reconstrução, estimada em cerca de 30 biliões de pesos.

O ex-presidente apelou também à Administração do Banco da República para que reduza a taxa de juro, que atualmente se situa nos 12%, com o argumento de facilitar as condições de financiamento para enfrentar a emergência.

O projeto solicitou também ao Conselho de Estado que mantenha em vigor a revogação do subsídio especial de serviço de 18 milhões de pesos (5.400 euros) para os congressistas, que tinha sido eliminado por decreto pelo Governo de Petro, e que esses recursos sejam destinados às vítimas do sismo.

A oposição, que não considera legítimo o mandato de De la Espriella, alertou também contra uma eventual utilização da emergência para "normalizar" a presença de forças militares estrangeiras na Colômbia e lembrou que as operações militares de outros países devem contar com a autorização do Senado.

A intervenção foi feita no exercício do direito de resposta da oposição às alocuções presenciais e, em particular, à realizada na passada segunda-feira por De la Espriella, na qual fez um balanço da resposta do Governo à emergência que já provocou 314 mortos.

A Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Catástrofes (UNGRD) anunciou no último balanço que, além dos mais de 300 mortos, pelo menos 290 pessoas continuam desaparecidas em consequência do terramoto de magnitude 7,4 que abalou a Colômbia há pouco mais de uma semana. A UNGRD adiantou que 4.611 pessoas ficaram feridas e que 358 foram resgatadas.

Mais de 134.000 habitações foram afetadas e outras 4.600 ficaram destruídas por este sismo, cujo epicentro se situou em San José del Palmar, em Chocó, uma das regiões mais pobres da Colômbia, onde a precariedade das infraestruturas e das vias terrestres dificulta a entrega de ajuda humanitária.

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