Cumpre-se o sexto dia da missão espacial da Artemis II à volta da Lua, esta segunda-feira, 6 de abril, e também um marco histórico na exploração espacial. Será a primeira vez que uma missão tripulada terá a oportunidade de observar o lado mais distante e escuro da Lua. O dark side of the moon, celebrizado no icónico tema dos Pink Floyd, que inspirou gerações de músicos e cineastas, estará visível para os quatro astronautas, que poderão transmitir as inéditas imagens em tempo real através da ligação à NASA (Agência Espacial Norte-Americana), mas também por via dos seus iPhones, num modo mais informal. Fotografar a face desconhecida do planeta é, aliás, uma das principais tarefas dos astronautas.Poder levar um smartphone à Lua para falar para casa é apenas uma das muitas diferenças tecnológicas que distinguem esta missão lunar da última tripulada, a cargo da Apollo 13, em 1972.A inovação mais radical está, no entanto, no facto de que a Artemis II vai bater o recorde de distância da Terra que até aqui pertencia à Apollo 13, quando alcançou uma distância de 400.171 quilómetros, antes de fazer a manobra de retorno que lhe salvou a vida. A tripulação da Artemis II segue a mesma trajetória em forma de oito, mas vai distanciar-se da Terra em mais cerca de 6.400 quilómetros.Isso fará dos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen os emissários mais distantes do nosso planeta, enquanto orbitam a Lua sem parar, esta segunda-feira, e depois retornam rapidamente para casa. No domingo a nave Orion já se encontrava mais perto da Lua do que da Terra, com mais de dois terços do percurso feito, o que levou os astronautas a comentar que esta estava a ficar “cada vez mais pequena”.O sobrevoo lunar terá aproximadamente seis horas e promete imagens do lado oculto da Lua que eram muito escuras ou muito difíceis de ver para os 24 astronautas da Apollo que os precederam. À medida que se afastava, a Orion já conseguiu captar perspetivas nunca vistas da Terra, justamente porque nunca uma nave se havia distanciado tanto.A tripulação a bordo da Orion terá ainda como presente um eclipse solar total, já que a Lua bloqueará o Sol, expondo fragmentos da coroa solar brilhante. "Vamos observar a Lua, mapeá-la e depois continuar a viagem de volta a toda a velocidade", disse o diretor de voo Judd Frieling.O objetivo é uma base lunar completa com módulos de pouso, veículos exploradores, drones e habitats. Os astronautas da Apollo 13 falharam a aterragem por um dos seus tanques de oxigénio se ter rompido no caminho, o que obrigou a abortar a operação por colocar vidas em risco.A nave Orion descolou no dia 1 de Houston e registou pouco depois um problema com o sistema de “esgotos”, que obrigou a tripulação a adotar um plano B, mas que entretanto se resolveu. Nas suas comunicações com a estação da NASA, os astronautas têm transmitido um ambiente descontraído e otimista, mostrando os seus peculiares menus gastronómicos, disponibilizados em embalagens de plástico ou de metal e sempre hidratados. A única mulher a bordo, Christina Koch, deixou-se filmar a beber um cocktail de camarão, que disse ser até “bastante saboroso” ao mesmo tempo que garantia, para afastar sentimentos de piedade, que para além de comida saudável, como feijões verdes, também tinham direito a macarrão com queijo.No primeiro dia, o tema “Sleepyhead” da banda Young & Sick, foi o som do despertador da tripulação a bordo da cápsula Orion, para assinalar o fim das primeiras quatro horas de sono. Para todos os dez dias, os astronautas escolheram músicas diferentes.Durante o sobrevoo, os astronautas vão dividir-se em pares, revezando-se para capturar as imagens lunares pelas janelas com câmaras. Como o lançamento ocorreu a 1 de abril, o encontro não terá tanta iluminação do lado oculto da Lua como noutras datas. Mas a tripulação ainda poderá distinguir "partes definidas do lado oculto que nunca foram vistas" por humanos, disse a geóloga da NASA, Kelsey Young, incluindo uma boa parte da Bacia Oriental.Mesmo antes da aproximação final, os astronautas da Artemis II já viram perspetivas totalmente novas: "Ontem à noite, tivemos a nossa primeira visão do lado mais distante da Lua e foi absolutamente espetacular", disse Koch, a especialista da missão, durante uma entrevista em direto a partir do espaço. John Honeycutt, gestor do programa SLS (Sistema de Lançamento Espacial) da NASA, partilhou num briefing no sábado uma nova imagem transmitida pelos astronautas. "Estamos aqui em cima, estamos tão longe, e por um momento, reuni-me com a minha pequena família", disse numa conferência de imprensa em direto. "Foi o melhor momento de toda a minha vida". Wiseman, juntamente com os também norte-americanos Christina Koch e Victor Glover e com o canadiano Jeremy Hansen, estão numa viagem histórica à volta da Lua. É um feito que Wiseman apelidou de "hercúleo" e que a Humanidade não realiza há mais de meio século..NASA confirma sucesso da manobra para lançar missão Artemis II rumo à Lua.Astronautas da Artemis II relatam aproximação à Lua: “Está a ficar maior”.E ao terceiro dia de missão, astronautas da Artemis II enfrentam avaria na eliminação de dejetos na sanita