Viggo Mortensen, o regresso do rei

Este é mais um dos nomeados ao Óscar de Melhor Ator: Viggo Mortensen é o protagonista de "Capitão Fantástico".

Poucos terão dado por ele, mas Viggo Mortensen estreou-se no cinema em A Testemunha, o filme de Peter Weir (1985), cuja ação se passava numa comunidade Amish. Harrison Ford e Kelly McGillis eram os protagonistas, mas Mortensen também lá andava, de chapéu de palha na cabeça, a construir um celeiro.

Na verdade, ele já tinha participado pouco antes no filme A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen, mas as suas cenas acabaram por ser cortadas. Filho de uma americana e de um dinamarquês, de quem herdou o nome, Viggo Mortensen passou a primeira fase da sua carreira a interpretar papéis secundários numa série de filmes, como O Retrato de uma Senhora, de Jane Campion (1996), ao lado de Nicole Kidman:

Entrou por exemplo em Psycho, que Gus Van Sant (1998) fez a partir de Hitchcock, em 28 Dias, de Betty Thomas (2000), com Sandra Bullock, ou em G.I. Jane, de Ridley Scott (1997):

Mas claro que a maioria das pessoas só reparou em Viggo Mortensen quando Peter Jackson o escolheu para o papel de Aragorn na trilogia de O Senhor dos Anéis (2001-2003). De um dia para o outro, Mortensen tornou-se uma estrela mundial, adorado pela legião de fãs dos livros de Tolkien e de todo aquele universo fantástico.

O Senhor dos Anéis abriu-lhe portas. O ator não só passou a ser requisitado para papéis principais como pôde dar-se ao luxo de escolher quais os filmes em que queria participar. Escolheu fazer Uma História da Violência, de David Cronenberg (2005), Promessas Perigosas, de David Cronenberg (2007) - que lhe valeu uma primeira nomeação para o Óscar de Melhor Ator - Appalosa, de Ed Harris (2008), A Estrada, de John Hillcoat (2009), Um Método Perigoso, de David Cronenberg (2011).

Escolher é, na verdade, uma palavra importante para ele. Escolheu investir parte do dinheiro que ganhou com O Senhor dos Anéis para, em 2002, criar a Perceval Press, uma editora cujo nome é uma homenagem a um dos cavaleiros do rei Artur, com o objetivo de publicar discos e livros que as grandes editoras se recusam a publicar mas que Mortensen considera importantes. No catálogo tem obras suas (ele é também fotógrafo, artista plástico, poeta e músico) e de outros autores como, por exemplo, de Mark Levine ou David Newsom.

E também escolheu entrar em Capitão Fantástico, primeira longa-metragem realizada pelo ator Matt Ross, que acabou por ser uma boa surpresa. O filme foi apresentado no Festival de Sundance e na secção "Un Certain Regard" do Festival de Cannes, onde Ross ganhou o prémio de Melhor Realizador. Viggo Mortensen, de 58 anos, interpreta o papel de Ben Cash que decide mudar-se com a mulher, Leslie, e o resto da família para a floresta para viverem o mais afastados possível do sistema capitalista, da sociedade de consumo e da tecnologia. As crianças têm treinos físicos intensos, aprendem a plantar a sua comida e a caçar animais, lêm muitos livros e são ensinadas a ter um pensamento crítico sobre a sociedade, celebrando o "dia de Noam Chomsky" em vez do natal. Mas a tranquilidade da família é ameaçada com a morte de Leslie.

Viggo Mortensen está nomeado para o Óscar de Melhor Ator, ao lado de Ryan Gosling (La La Land), Denzel Washington (Vedações), Casey Affleck (Manchester By the Sea) e Andrew Garfield (O Herói de Hacksaw Ridge). Mas, por muito que simpatizemos com este Capitão Fantástico, é pouco provável que leve a estatueta para casa no próximo domingo.

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