Único alfarrabista de Faro reabre para oferecer milhares de obras

Carlos Simões viu-se forçado a encerrar o espaço em 2015 e quer agora oferecer as centenas de milhares de obras que ficaram por vender

A Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão (APOS) vai reabrir no sábado uma loja de Faro onde funcionou um alfarrabista até 2015 para oferecer livros e ajudar o proprietário a esvaziar o local.

António Paula Brito, vice-presidente da APOS, explicou à agência Lusa que em causa estão milhares de livros que ainda permanecem no espaço onde, até há cerca de um ano e meio, esteve um emblemático alfarrabista da cidade de Faro, Carlos Simões, atualmente com 73 anos e com atividade há 35.

"No sábado, a APOS vai abrir umas horas [entre as 10:00 e as 12:30] para o público em geral poder levar os livros que lhes interessem", disse aquele responsável à agência Lusa, pedindo aos interessados que forem à loja, no número 86 da Rua do Alportel, para levarem lanternas porque não há eletricidade no local.

Em julho de 2015, quando se viu forçado a encerrar o espaço do qual era inquilino, por força de uma ordem de despejo, o único alfarrabista de Faro, segundo o P3, não levou consigo nenhuma das centenas de milhares de obras que lá se encontravam, restando-lhe os livros que guardava no armazém onde atualmente mantém a loja aberta.

"Fui surpreendido pelas autoridades e nem tive tempo de selecionar o que queria, fiquei com o que já tinha neste armazém", contou à Lusa, apontando para as prateleiras da atual loja, situada perto do local conhecido como a "Praceta do Rodolfo", em Faro.

Na altura, o alfarrabista decidiu doar todo o acervo à Câmara Municipal de Faro e ficou convencido de que "estava bem entregue", mas foi "surpreendido" nos últimos dias pelo anúncio da ação prevista para sábado.

À Lusa, o vice-presidente da Câmara de Faro, Paulo Santos, garantiu que o interesse público do espólio foi salvaguardado, após uma operação coordenada pela Biblioteca Municipal de Faro, que ficou com alguns dos livros, assim como a biblioteca da Universidade do Algarve.

"A proteção do que poderia ter interesse público foi feita na totalidade, o espólio foi todo analisado e retirou-se tudo aquilo que era documentação com relevância", assegurou Paulo Santos.

Admitindo que ainda ficaram lá muitos livros, o também vereador da Cultura da autarquia observou que as obras que ainda lá estão poderão ter interesse para determinado tipo de público, em particular colecionadores.

Segundo António Paula Brito, a APOS está a promover a iniciativa para ajudar o proprietário, que cedeu as chaves do espaço à associação, que tem ido ao local com várias entidades, "para ver se querem alguns dos milhares de livros" que lá permanecem.

"Ainda ficaram muitos livros no local e, como conheço o proprietário, pensámos que a APOS poderia ajudar a contactar instituições de Olhão para retirar do espaço os livros que ainda sobraram e ajudá-lo a limpar o local", disse o dirigente associativo.

Carlos Simões teme que a ação de sábado "cause problemas", devido à multidão que se espera que se desloque à sua antiga loja e frisou que não tem qualquer intenção de ir espreitar o que lá vai acontecer.

"De certo modo, não estou preocupado com o acervo, estou de consciência tranquila", rematou o alfarrabista.

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