Um mundo inteiro a descobrir na maratona de jazz do São Luiz

Até domingo o Teatro São Luiz, em Lisboa, acolhe concertos, conversas, masterclasses e residências artísticas de músicos nacionais e estrangeiros nesta 14.ª edição da Festa do Jazz

É uma autêntica maratona aquela que se prepara para viver no Teatro São Luiz, em Lisboa, que até este domingo recebe a 14.ª edição da Festa do Jazz, evento que se tem afirmado como uma das mais importantes iniciativas dedicadas ao jazz produzido em Portugal, mas que também arrisca abrir as fronteiras a músicos de outras latitudes.

A referida maratona de concertos começa na sexta-feira, mas hoje à noite há a continuação da pré--festa que já começou ontem, na Escola de Música do Conservatório Nacional. A pré-festa de hoje acontece no Teatro São Luiz e surge sob o mote da celebração dos 50 anos do histórico programa Cinco Minutos de Jazz, levado a cabo desde sempre pelo radialista e divulgador José Duarte. As comemorações fazem-se com nomes pesados: Carlos Martins Quarteto (músico que é também o diretor artístico da festa), o duo da cantora Rita Maria com o pianista Filipe Raposo, e ainda o trio de Mário Laginha, projeto que junta o pianista à guitarra portuguesa de Miguel Amaral e ao contrabaixo de Francisco Brito. Além dos concertos, pela primeira vez entrega-se o Prémio de Composição Bernardo Sassetti, distinção que não só homenageia o pianista como pretende apoiar jovens talentos do jazz nacional. A noite será filmada pela RTP.

Essencial na programação da Festa do Jazz é a vertente do ensino, seja pelas masterclasses (que decorrerão no sábado e no domingo, com músicos estrangeiros), mas neste ano também com uma residência internacional, de cariz académico, "para enquadrar o ensino e a prática da improvisação musical ao nível europeu, sem esquecer a sua internacionalização", descreve o diretor artístico. "O que devem ensinar os cursos de jazz?" Esta é uma das perguntas às quais Haftor Medbøe (Edinburgh Napier University), Ricardo Pinheiro (Universidade Lusíada de Lisboa) e Pedro Cravinho (Universidade de Aveiro) tentarão responder na primeira conversa (sábado, 17.00) do ciclo que neste ano tem lugar na festa. A segunda, com a presença de Tony Whyton (Birmingham City University), José Dias (Universidade Nova de Lisboa), Carlos Martins e Luís Figueiredo (Universidade de Aveiro), será focada em questões ligadas à promoção e ao trabalho em rede. Ambas as iniciativas são de entrada livre.

Cruzamentos

As novidades não se ficam por aqui, uma vez que aquela que é tida como a primeira noite da festa, sexta-feira, será inaugurada com dois concertos de formações internacionais: os nórdicos Kuára (que se estrearam em 2010 com Psalms and Folk Songs, pela reputada ECM), contando agora com a contribuição do saxofonista norueguês Trygve Seim, e o Egli-Santana Group, com músicos da Suíça e da Alemanha, e ainda Gileno Santana, brasileiro radicado no Porto.

Até ao final do festival os cruzamentos entre músicos portugueses e estrangeiros repetir-se-ão várias vezes. É o caso, por exemplo, do último concerto na sala principal do São Luiz, no domingo, às 23.00, a cargo de João Barradas, que se fará acompanhar pelo saxofonista norte-americano Greg Osby, também ele produtor do álbum Directions, que será agora apresentado.

Na calha estão ainda a apresentação de novas composições por parte do Lisbon Underground Music Ensemble, projeto liderado por Marco Barroso, que toca no sábado às 19.30, e do trio TGB, que atua no mesmo dia, às 21.30.

A destacar no sábado o concerto do Rodrigo Amado Motion Trio, uma das mais ativas formações no panorama internacional, que aqui se alargam a quarteto com a presença do pianista Rodrigo Pinheiro, também ele elemento do RED Trio. O grupo toca no sábado, às 18.30, dia que terminará com a apresentação do álbum Dream Keeper por parte do guitarrista André Fernandes, que estará acompanhado por nomes fortes do jazz da vizinha Espanha, nomeadamente Perico Sambeat e Iago Fernández.

Já no domingo haverá oportunidade para recuperar as bandas sonoras compostas por Nino Rota e Ennio Morricone através do projeto Cinema & Dintorni (às 17.00, com participação especial de Laurent Filipe e Pedro Santos) ou para acolher o ambicioso trabalho Impermanence, da cada vez mais reputada trompetista Susana Santos Silva, concerto que contará com a manipulação de imagens em tempo real por parte de Maile Colbert.

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