Um, dois, três quatro degraus, e estamos na casa dos livros

É descer as escadas e entrar no mundo de todas as histórias. Em Campo de Ourique, Lisboa, a Baobá, livraria com nome de árvore africana de raízes fortes, começa a dar frutos num T1+1.

"É só livros para crianças não é?". Um casal do bairro assoma ao cimo dos degraus da meia cave para onde se mudou de armas e bagagens toda uma silenciosa multidão de personagens, histórias e livros de capas apetitosas. Carla Oliveira sorri e responde: "olhe que os livros para crianças não têm idade", ao que o grisalho transeunte retorque: "ah bem sei, só os grandes autores escrevem para crianças."

O casal seguiu rua fora, depois de espreitar a montra. Lá em baixo, a editora apresentava-nos o espaço. Estávamos na sala. Uma sala com uma enorme estante de livros e o balcão, atrás do qual Ana Rita recebe os clientes. Mas esta livraria não acaba aqui.

Tem um recanto, pintado de amarelo forte, com almofadas e bicharada de peluche que convida à leitura. Uma nova vida para aquele espaço já foi o provador de uma loja de lingerie que antes ocupou aquele T1+1 com chão de madeira corrida e tetos trabalhados que desemboca num quintal - e sim, continuamos a falar de uma livraria. Porque esta que se instalou em Campo de Ourique, apesar das rendas altas e do bairro da moda, é uma casa. Tem uma cozinha juvenil, onde a chaminé também convida à leitura aninhada, uma sala das histórias, uma salinha de exposições - por agora, que Carla não sabe ainda onde pôr os livros para os adultos. E há um corredor em que três chapéus de coco foram transformados em candeeiros que iluminam uma enorme ilustração de Jaime Ferraz . E uma marquise. E uma despensa, de livros, pois claro.

"Temos livro ilustrado para miúdos e graúdos", diz a frenética editora Carla Oliveira. Conta que depois da livraria pop up da Orfeu Negro que abriu durante dois meses em Campo de Ourique, por alturas do Natal em 2014, disse "nunca mais", foi uma trabalheira. Mas... "ficou o bichinho" e eis que dois anos depois regressa de malas aviadas, para ficar. A Baobá - um nome "engraçado" de uma árvore originária de África, sólida, ligada à memória e às lendas africanas e brasileiras - quer ocupar um espaço por preencher no bairro onde pululam lojas de roupa e de brinquedos: "um espaço dedicado ao livro e às atividades culturais para crianças."

Representa várias editoras nacionais e estrangeiras - para além de todo o catálogo da Orfeu Negro, de que Carla é editora, está lá a Pato Lógico, a Tcharan, a Edicare, a Kalandraka, a Planeta Tangerina, a Bichinho de Conto e a Jacareca, mas também Flying Eye Books, Les Grandes Personnes, Hélium, Media Vaca e La Fragatina. Um festim de histórias, de ilustração, de imaginação que Carla e a sua equipa puseram a funcionar e para o qual não faltam ideias. Já há uma agenda até ao fim do ano com leituras de histórias e lançamento de livros, tudo gratuito e em 2017 a Baobá quer "trazer as escolas à livraria", promover teatro, música, atividades para bebés, ateliers, semear os canteiros do jardim.

Carla parece aqueles livros ali nas prateleiras, de onde salta uma história a cada página que se folheia. Também tem ideias de (mandar) fazer uma estante árvore e às vezes angustia-se porque o espaço se calhar é pequeno para depois se reapaixonar por aquela casa que remodelou com uma amiga arquiteta para receber a miudagem. É descer as escadas.

Livraria Baobá
Rua Tomás da Anunciação, 26B
1350-327 Lisboa
3ª a sábado das 10 às 19.30 (aberto nos dias 8 e 18 de dezembro)

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