Soares dos Reis e Machado de Castro, os museus que crescem

Mais de 4,6 milhões de entradas foram registadas no último ano nos museus, palácios e monumentos da Direção-Geral do Património Cultural, mais 15,5%. Porto e Coimbra registaram as maiores subidas

A exposição de Amadeo de Souza-Cardoso no Jardim Passos Manuel em 1916 gerou reações apaixonadas e, cem anos depois, o pintor ainda causa efeito. A mostra que assinalava o centenário deste evento levou 43 mil visitantes ao Museu Nacional Soares dos Reis entre 1 de novembro e 31 de dezembro. Quase metade das 98 694 que passaram a porta do Palácio das Carrancas em 2016, segundo os números divulgados ontem pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Foi o que mais subiu na variação anual: 81,4% em relação a 2015, quando tinha recebido 54 407 visitantes.

2016 foi o ano em que os seis monumentos, dois palácios e 15 museus tutelados pela DGPC cresceram. Foram 4 682 777 visitantes, mais 15,5% do que em 2015. Ou, em números, mais 628 803 entradas. No Mosteiro dos Jerónimos, o mais visitado entre todos, ultrapassou-se a barreira do milhão de visitantes pela primeira vez desde que há contagem. Ao todo, foram 1080 902.

Outra barreira, mas dos cem mil visitantes, foi ultrapassada no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra. Os 77 059 do ano passado foram mais 43,5% em 2016, isto é, 110 568. "É uma barreira simbólica para todos", confirma a diretora, Ana Alcoforado, ao DN. É no aumento do turismo que a responsável, tal como a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva, encontra resposta para os números traduzidos pelas estatísticas. "A classificação de Coimbra como Património da UNESCO despertou um crescendo de turismo."

Desde 2013, altura em que ficou concluído o projeto expositivo do museu (após obras de requalificação), que os números vêm subindo, esclarece a diretora. Acresce, diz, que também tiveram uma exposição muito visitada, Tesouros da Rainha Santa Isabel.

Em 2016, "os [visitantes] estrangeiros ultrapassaram os nacionais", refere Ana Alcoforado. Contas certas: "51 922 nacionais e 58 648 estrangeiros." Os números refletem a tendência nacional: 49,9% são nacionais, 50,1% são estrangeiros. Nos palácios, há mais portugueses (60,1%), mas nos monumentos os estrangeiros dominam: são 84%.

No pelotão da frente das subidas está também o Museu Nacional de Arqueologia, dirigido por António Carvalho. "Ressalta-se a importância da exposição temporária Lusitânia Romana - Origem de Dois Povos que trouxe ao museu mais de 58 mil visitantes, dos 146 955 visitantes totais em 2016", segundo a diretora-geral.

Nos antípodas do crescimento está o Museu Nacional do Traje, que cresceu 0,1%. Teve 44 543 visitantes, mais 49 do que em 2015. O Museu Nacional do Teatro e da Dança registou 1,1% de crescimento, passando dos 39 199 (2015) para os 39 628. O local menos visitado foi a Casa-Museu Anastácio Gonçalves, com 9557 visitantes (mesmo assim mais 4,7% do que no ano transato).

No ranking geral, o Museu dos Coches continua a ser a joia da República: 382 593 visitantes (mais 10,3%), com o Museu de Arte Antiga em segundo. "É de destacar a inauguração da nova galeria de pintura e escultura portuguesa, que teve mais de 67 mil visitas, das 175 578 entradas totais no museu em 2016", refere Paula Silva.

Os museus representam 31,6% das visitas a equipamentos da DGPC. Os monumentos são 59,9% do total e os palácios 8,5%.

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